UM DIA NEGRO PARA O CLIMA E A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – Parlamento Europeu aprova “selo verde” da UE para o gás e o nuclear

O plenário do Parlamento Europeu acaba de aprovar (6 de junho) por 50 votos que o gás e o nuclear sejam considerados energias verdes. Contrariando a evidência de que a combustão do gás fóssil produz emissões de CO² e a energia nuclear produz uma pegada ambiental brutal e perigosa, a votação desta quarta-feira em Estrasburgo resultou na aprovação da chamada “taxonomia verde” – a lista das energias consideradas verdes para o financiamento pela UE –  adotada pela Comissão Europeia em fevereiro passado.

Esta disposição, que visa classificar o nuclear e o gás como energias que podem contribuir para a luta contra as mudanças climáticas e, portanto, merecer um “rótulo verde”, visa abrir às empresas do gás e do nuclear financiamentos e investimentos multimilionários, prejudicando a transição energética para energias limpas e renováveis.

Assim, a inclusão do gás e do nuclear no grupo de tecnologias de transição, entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2023. A medida significa apoiar os pedidos de países como a França, que exigiu um reconhecimento expresso da energia nuclear como fonte livre das emissões de CO², e da Alemanha, que pediu a inclusão do gás como fonte necessária para a transição para um sistema baseado em renováveis.

A decisão tomada no Parlamento Europeu desencadeou fortes críticas dos ambientalistas por considerarem que se desvia do que deveria representar as chamadas finanças sustentáveis. ONGs como a Greenpeace anunciaram a intenção de levar a Comissão Europeia a tribunal “por adotar uma taxonomia que não atende aos objetivos climáticos acordados no Acordo de Paris”, segundo um comunicado da Fundação Europeia do Clima. “Gás e energia nuclear não são verdes, e rotulá-los como tal é um caso flagrante de lavagem verde [greenwashing]“, disse Ester Asin, diretora do escritório político da WWF. “Isso prejudica o clima e as gerações futuras!”

A maioria dos grupos europeus da direita e extrema-direita decidiram votar favoravelmente a decisão do Executivo comunitário. Os grupos dos socialistas, verdes e da esquerda europeia, onde se integra o BE, posicionaram-se contra a classificação. No total, 278 deputados votaram a favor da objeção (ou seja, contra a atual taxonomia), 328 contra e 33 abstiveram-se.

“Para que é a taxonomia? Serve para harmonizar a procura dos investimentos verdes”, disse o deputado verde Bas Eickhout, um dos relatores do ato delegado, durante o debate de terça-feira, que defende a sua revogação. “No momento em que se cumpre as regras da taxonomia há uma “etiqueta verde” que valida a obtenção de um vínculo verde” e que abre as portas ao financiamento pela UE das energias produzidas a partir de gás fóssil e do nuclear.

Trata-se de um dia negro para o clima e para a transição energética. A mensagem que está a ser dada internamente e ao resto do mundo é de que a UE agora reconhece o gás fóssil e a energia nuclear como investimentos sustentáveis. Parece incrível, mas é verdade. O capitalismo não hesita nos maiores crimes e retrocessos ambientais quando se trata de obter rendas e lucros astronómicos.

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