Um balanço de 2021

Saio de 2021 com um nó na garganta e com uma angústia.

Dia 14 de Janeiro de 2022 é o dia em que oficialmente estão despedidos os trabalhadores do Santander em despedimento colectivo, mas hoje é o último dia de trabalho porque a lei obriga a gozar férias antes do despedimento.

Se em Janeiro me tivessem dito que seria este o desfecho eu não acreditava. Este era o ” meu” Banco, um Banco que apontava aos meus filhos orgulhosamente sempre que em viagem víamos uma agência Santander, um Banco sólido, entre os melhores do Mundo, liderado por uma mulher, uma humanista que valorizava a família, os trabalhadores…

E então chegou o Holocausto e a política de campo de concentração chegou. O reduzir os trabalhadores a números( têm que sair 1400, e como diziam ao telefone a alguns trabalhadores os cães de fila, não importa como de pés, de barriga..), o retirar toda a dignidade com o esvaziamento de funções,  o colocar em funções sem qualquer preparação,  o trabalhar em corredores junto ao WC, nas copas, na sala de arquivo e impressoras, o empurrar para teletrabalho compulsivo sem computador e sem funções durante meses…enfim técnicas bem estudadas e postas em prática pelos advogados contratados para o efeito e pelos cães de fila nomeados para o efeito, que tornaram o meu orgulho em ódio e repulsa.

Como em todas as Guerras temos os vendidos, que fazem tudo para safar a pele e a Resistência.

Tenho orgulho em fazer parte destes últimos, grupo de gente que não baixou os braços, que fez barulho e que não se vergou e que não vai deixar cair no esquecimento tudo o que passamos. É também o que levo deste ano, a união de pessoas a lutar contra a ganância e prepotência de gentalha que só vê o lucro e o bem-estar próprio. Obrigado ao MUDAR (Pascoal, Sandra, Horácio, Ana Paula) e ao grupo RMA NÃO que nos uniram e deram força para lutar.

No meu caso pessoal esta luta teve um desfecho menos mau e comecei uma nova etapa da minha vida, no entanto é este sentimento de repulsa e ódio por tudo o que Santander representa que me dá esta angústia e nó na garganta, porque é um sentimento que não será só meu, nem dos 1400 empurrados de forma violenta a saírem, é também dos que ficam no campo de concentração que agora já sabem o que os espera…

Que 2022 nos traga vontade de continuar a lutar e denunciar estas situações para que o futuro dos meus filhos não seja tão sombrio como prevejo. E que a chamada “revolução tecnológica” seja uma mais valia e não o trazer ao de cima este lado mais sombrio da raça humana do salve-se quem puder.

Tomar, 31 de dezembro de 2021

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