Trabalhadores atacados não podem ficar isolados

Reunião, 29 de maio, 16h, STPT, Lisboa

O Movimento “Trabalhadores atacados não podem ficar isolados”  pretende dar voz aos trabalhadores atacados e à dura experiência do mundo do trabalho, com informação vinda dos próprios trabalhadores, mas também de investigadores do trabalho. Quer ainda debater os desafios que se põem ao movimento sindical e operário face à ofensiva da União Europeia e do governo. E, finalmente, visa abrir perspetivas de luta e resistência coletiva e unida da classe trabalhadora para abrir uma saída que corresponda aos seus interesses e à democracia.

Para discutir ações a tomar e preparar um encontro nacional, o movimento vai realizar uma segunda reunião preparatória neste Sábado, 29 de maio, às 16h, nas instalações do STPT (Sindicato dos Trabalhadores da ALTICE), Largo do Casal Vistoso, nº 5 A, 2ºAndar A (ao Areeiro), Lisboa.

No comunicado-convocatória desta reunião, o Movimento faz uma análise da situação atual dos trabalhadores:

“Ninguém sofreu mais com a pandemia do que os trabalhadores. Contratados a prazo e precários perderam logo o emprego. Os assalariados em geral ou continuaram a trabalhar sem condições de segurança, ou então foram postos em lay-off, com perda de parte do salário — e a outra parte paga essencialmente pela segurança social, ou seja, pelos descontos dos seus próprios salários passados e futuros — ou em teletrabalho, com frequentes abusos patronais de horários e privacidade.

Mal o governo anunciou, entretanto, o “plano de recuperação” (PRR) da União Europeia como solução para o país, caiu sobre dez mil trabalhadores da TAP a chantagem: ou aceitam perdas massivas de salário e emprego, ou rua, já, para todos. Seguiu-se o encerramento da refinaria da GALP em Matosinhos. A família mais rica do país, alimentada a milhões dos lucros da própria GALP, percebeu que os subsídios da UE passariam a vir da “transição verde”. Pôs na rua quase 500 trabalhadores, votando um concelho inteiro ao desemprego e ao declínio. O mudanista e salteador A. Casimiro, a quem governos anteriores, para obedecer às diretivas europeias, ofereceram a Groundforce a custo zero, deixou de pagar os salários dos trabalhadores. Manobra agora para espremer a empresa até ao último milhão antes de a deixar cair.

Obedecendo aos ditames da UE, o governo atual prepara a reprivatização da EFACEC, uma das maiores empresas elétricas, com as “inevitáveis” perdas de postos de trabalho. A banca, à cata dos dinheiros da “transição digital” da UE, prepara e organiza milhares de despedimentos e encerramentos de balcões.

No plano de estabilidade que recentemente submeteu à Comissão de Bruxelas, o governo promete que não haverá aumentos na função pública até 2025, pelo menos.

E mantém-se inflexível na manutenção das leis laborais da troika, que praticamente impedem aumentos de salários no sector privado. Na saúde, em agradecimento ao trabalho dos profissionais durante a pandemia, o governo prepara a restauração dos planos da troika, como anuncia o Expresso e denunciam os trabalhadores do sector.”

Mais adiante o Movimento escreve:

“A imprensa anuncia que a atribuição dos fundos do PRR aos capitalistas ficará estritamente condicionada à aplicação pelo governo de “reformas” de austeridade como sob a troika e com métodos de vigilância iguais aos da troika.

Na própria TAP, o ministro da economia e, agora, o Tribunal da UE, continuam a agitar a espada da insolvência e do fim da empresa, com o objetivo de abrir caminho a cortes ainda mais drásticos que a Comissão Europeia decida exigir.

Enquanto isto, representantes cimeiros do capitalismo nacional, citados para (mais) uma comissão de inquérito parlamentar sobre o Novo Banco, gozam em público e em direto com a população trabalhadora, mostrando, ufanos, que saqueiam milhares de milhões porque está tudo a saque e são eles que mandam.

Nós, porém, que assinámos o apelo à mobilização geral por uma frente de resistência e solidariedade com os trabalhadores atacados na TAP, GALP e outras empresas — EFACEC, Groundforce, ALTICE, Banca…, continuamos, firmes, a dizer que: Não aceitamos nenhum despedimento, não aceitamos nenhum encerramento de empresa, não aceitamos nenhum corte salarial, não aceitamos nenhuma cessação unilateral de acordo de empresa.

Os trabalhadores não têm qualquer responsabilidade na crise e não são descartáveis!

Não aceitamos que milhares de trabalhadores sejam atirados para o desemprego e a precariedade, aumentando o rol dos milhares de despedidos desde o início da pandemia, em grande parte jovens.

A luta dos trabalhadores da TAP, GALP, EFACEC, Groundforce, da banca, para travar os planos de desmantelamento e de destruição é a luta de todos.

Ganhar essa luta é vital para todos os trabalhadores deste país, para poder correr com os parasitas que roubam milhões e gozam com a nossa cara!

Chega agora a hora de dar novos passos na construção de uma grande frente de resistência do trabalho para vencer esta batalha, pôr de pé uma verdadeira frente de todos os trabalhadores com as suas organizações sindicais e CTs para derrotar os planos de miséria e abrir uma alternativa, para isso recorrendo a todos os meios de luta de que o movimento sindical e operário dispõe.”

1 comentário em “Trabalhadores atacados não podem ficar isolados”

  1. Há uns meses, estava eu numa pastelaria em Lisboa a tomar café ao balcão, quando a meio de um noticiário surgiu na televisão um vídeo curto – imagens de uma manifestação de extrema direita – com os participantes a ostentar várias (muitas, mesmo muitas) bandeiras nacionais.
    Comenta um cliente ao meu lado, em jeito de pergunta: “porque raio é que a esquerda deixou estes e os outros partidos de direita, apoderarem-se da nossa bandeira? Ficaram com o exclusivo? A ideia que dá a quem vê, é que eles é que se preocupam e lutam por Portugal e que a esquerda nem sequer é patriótica!”.

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