Tarefa do momento: solidariedade com os trabalhadores para derrotar os planos da UE e do governo

Soubemos — muitos com estupefacção — da ignóbil e, até há bem pouco, inimaginável chantagem do governo aos trabalhadores da TAP: ou se aguentam com milhares de despedimentos e cortes de direitos e salários, ou fecha-se imediatamente a empresa e vai tudo para a rua.

Dúzias de comentadores têm-se posto roucos a discutir o que é a “bazuca” e para que serve.

Já não há nada a discutir.

O que a bazuca é e para o que serve está aí. É tão claro o sinal, que só não o entende quem não o quer entender ou faz vida a vender poeira para os olhos.

Para não deixar dúvidas ao que ia, o governo começou por pôr à frente do biscate o ministro “mais à esquerda” que conseguiu encontrar num raio de muitos quilómetros.

A seguir, rasga sem contemplações o acordo de empresa.

Recordemos. Autorizando um subsídio do Estado à TAP, a União Europeia pareceu estar a aceitar derrogar ao primeiro mandamento das tábuas da lei: não entravarás a concorrência nem à lei da balda.

Mas, é claro, para tanta benesse havia uma condição: que o subsídio servisse para “emagrecer” a empresa e destruir as regalias dos seus trabalhadores.

O caminho fica assim traçado. As bazucas são armas apontadas, agora à TAP, depois aos outros.

A GALP (mais de 500 milhões de euros de lucros em 2019), anunciou o desmantelamento da refinaria de Matosinhos. Na GALP, outrora empresa pública, manda a família mais rica do país, a família Amorim. O encerramento (“irreversível”) vai provocar milhares de despedimentos directos e indirectos. As consequências para o tecido ec-nómico e social da região serão dramáticas. A Câmara Municipal viu-o e disse-o de imediato.

Olhe-se para as proporções. O plano do governo para a TAP, que será com certeza agravado quando a Comissão Europeia der o seu “parecer”, prevê cortar 230 milhões em custos salariais (40% do total).

São 5% do que o Estado entrega ao fundo abutre Lone Star nos termos de um acordo secreto sobre o Novo Banco, inconstitucional, que há anos onera, sem apelo nem agravo, o orçamento da nação.

Têm os trabalhadores da TAP, ou os da GALP, alguma responsabilidade na crise, das suas empresas ou do país? Não, nenhuma. Trabalharam, antes como depois, segundo as orientações da gerência e dos accionistas que nela mandavam.

Porque hão-de ser os trabalhadores da TAP, e os da GALP, a pagar a crise, enquanto o sr. Neeleman teve direito a 55 milhões de euros para dar à sola, a Lone Star goza com o contribuinte português e os lucros se acumulam nos bolsos do grande capital?

Aquilo que é fulminantemente claro é isto: a luta dos trabalhadores da TAP para barrar os planos de desmantelamento e de destruição da empresa é a luta de todos nós. Se eles a ganharem, talvez os outros não tenham que travá-la depois em piores circunstâncias.

Os trabalhadores da TAP têm de ganhar a sua luta pela manutenção de todos os empregos, pela manutenção integral de todos os salários, pela manutenção em vigor do acordo de empresa.

Os seus sindicatos e comissões de trabalhadores precisam do apoio de todos, no país e até internacionalmente. Pois todos sabem que, se, na TAP, se quer despedir 3.000, na Lufthansa quer-se despedir quase 40.000.

A solidariedade de todos os trabalhadores com os da TAP e com todos os outros trabalhadores em luta pelos seus direitos e pela democracia, ameaçada pela Comissão Europeia e pelos governos a seu mando, é fundamental. Só poderemos vencer com a solidariedade, a luta e a resistência mútua, de todos.

A hora é de impor a proibição dos despedimentos, a garantia de todos os empregos e o pagamento integral de todos os salários.

A hora é de todos os trabalhadores portugueses declararem a sua solidariedade aos sindicatos e comissões de trabalhadores da TAP e empresas ligadas.

A hora é de as centrais sindicais, os partidos e organizações que têm recolhido a confiança e o voto dos trabalhadores portugueses declararem a sua solidariedade incondicional com os trabalhadores da TAP e as suas reivindicações.

A hora é de preparar a mobilização geral da classe trabalhadora para pôr termo a esta ofensiva iníqua.

 

O autor escreve segundo a norma anterior ao acordo ortográfico

Título da responsabilidade de Via Esquerda

 

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