Senhora Flor (de) Pedroso, demita-se! Ele não!

É uma das decisões mais enigmáticas e de imediato inconscientes que pode ser tomada por um grupo de jornalistas da televisão nacional de um país democrático: considerar Bolsonaro personalidade estrangeira do ano.

Este idiota , como foi justamente considerado pelos espanhóis, vai fazer disparar todos os índices de retrocesso mundial face às grandes lutas civilizacionais que vão desde a igualdade de género à implementação das medidas acordadas mundialmente contra o aquecimento global sem esquecer a abolição de todas as práticas racistas e xenófobas, num mundo seriamente ameaçado pela entronização consumista neoliberal e pela boçalidade do americano que Bolsonaro pretende imitar.

Assim já não nos custa a acreditar que em Portugal, se um“destes” aparecer, poderá contar com o apoio da televisão pública para chegar ao poder. Que vergonha seria para todos nós!

Ainda não é visível quão largo irá ser o espectro do escândalo e que dimensão irá adquirir na ordem do dia da informação independente mas, pela cabeça das pessoas normais ciosas da paz e da democracia, passa já muita estupefacção. “Como é isto possível?”- Pergunta-se.

Qualquer pessoa adivinha de imediato uma das muitas repercussões possíveis desta decisão: a popularidade que a divulgação desta façanhuda e estúpida decisão outorgará junto da comunidade brasileira que anda já em descaminho pelos coletes amarelos e que encontrará nesta um reforçado sintoma de legitimidade para “badalarem” o seu herói em tudo o que é canal de expressão atrófica. “Vem aí o Salvador!”

Manchada por uma pretenso senso de “altíssima” democraticidade – incompreensível para o comum dos mortais –o que se intui, também, e lamentavelmente, é um transversal desrespeito pela história e pelos direitos humanos o que pressupõe desde logo a cegueira entronizada e o afastamento definitivo de um conjunto de iluminados face a um País real que se deve motivar, sim, mas nos valores da liberdade, da paz e do direito à dignidade.

A quem informa cabe também avaliar o impacto de cada notícia na opinião de quem, ainda, os escuta. E esta passa a ser notícia não só pelo desconchavo mas também porque revela um conjunto míope de jornalistas escudado no dogma da liberdade de expressão que, todavia, neste caso, os impediu de considerar a liberdade como um bem universal inatacável.

Olhando para a sobranceria que subjaz desde há algum tempo em todo o espectro informativo do Canal Estatal talvez não seja tão surpreendente esta eleição podendo considerá-la como um espécie de nadir. Nada pode ser pior do que dar incentivo a quem nos ameaça de opressão.

Se não houver um recuo ou uma inevitável retratação, devemos recear definitivamente as intenções por detrás da informação veiculada pelo canal público de Rádio e TV.

Haja quem ponha estes senhores no lugar.

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