Rio Sorraia: catástrofe ambiental exige respostas

Ao longo de muitos quilómetros, o rio Sorraia (afluente do Tejo) e os seus afluentes estão cobertos por jacintos-de-água, uma agressiva espécie invasora cujo cultivo e difusão estão proibidas no nosso país.

A praga do jacintos-de-água é denunciada pela URTICA, num comunicado em que defende a necessidade de limpeza permanente do Sorraia e dos seus afluentes. “O governo deve mobilizar nesse sentido todos os recursos científicos, técnicos e financeiros que sejam necessários”, afirma aquela rede de Defesa do Ambiente e Ação Climática.

O Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, garantiu em declarações recentes na Assembleia da República que o rio Sorraia estaria limpo. A verdade é que largas secções do rio continuam cobertas por um denso tapete de jacintos-de-água. Algumas intervenções de limpeza, realizadas em outubro e novembro revelaram-se claramente insuficientes e a praga persiste em larga escala.

A Rede URTICA “sugere que o Ministro do Ambiente, depois de ter garantido que o rio Sorraia estaria limpo, vá visitar o rio para constatar a situação dramática e assumir medidas concretas e urgentes, algumas de carácter estrutural – como a limpeza e renaturalização do rio, para enfrentar a invasão de jacintos-de-água.”

Há várias derrocadas nas margens do rio e, na prática, já não existe galeria ripícola. A fauna, outrora muito rica e diversa, hoje é muito reduzida. Devido à eutrofização*, é facilmente visível a afluência de peixes com dificuldades de sobrevivência, sempre que se abre uma cratera no espesso tapete de jacintos-de-água que cobre o leito.

Segundo o movimento “Juntos pelo Sorraia”, esta praga tem-se acentuado nos últimos 6 anos. Nesta época, os jacintos-de-água cobrem o rio com folhagem quase inteiramente seca, embora as alterações climáticas permitam a sobrevivência anormal de muitos caules verdes.

A construção de pequenos diques, para evitar o escavamento do leito junto aos pilares de suporte de pequenas pontes para o serviço agrícola, permite a acumulação de plantas. Se o leito se tivesse mantido natural, estas plantas seriam arrastadas para o estuário do Tejo, onde a água salgada as poderia eliminar. A fertilização agrícola e as escorrências de alguns esgotos que continuam a drenar para o rio acentuam o problema. Finalmente, a ausência de vigilância e de operações de limpeza conduziram a esta situação extrema.

Muito justamente, as populações, os autarcas e os ambientalistas exigem a recuperação urgente do património natural perdido. Também o Bloco de Esquerda já veio a público declarar que “o rio Sorraia e afluentes tem de ser recuperado e têm de ser asseguradas contínuas operações de manutenção.”

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