Quem (nos) guarda a Polícia?

Tempos sombrios em que vivemos, quando a direcção da maior associação sindical de polícias do país, a ASPP/PSP, não se demarca claramente do Movimento Zero, ligado a grupos e partidos fascistas.

Quem ouvir o seu dirigente, Paulo Rodrigues, numa entrevista dada na TVI24, meses depois do afastamento de um vice-presidente que denunciou comportamentos racistas e xenófobos nas forças de segurança e a um dia da manifestação de amanhã em frente ao Parlamento, poderá pensar que, além de não se demarcar, este é conivente com um movimento com membros ostensivamente ligados à extrema-direita e à violência.

Têm razão os polícias em reivindicar os direitos e melhoria das suas condições remuneratórias, de carreira, de recursos e aumentos salariais em geral – e o Governo tem de passar à acção e não se ficar pela cavaqueira e o empurrar com a barriga. Porém, esta colagem do Movimento Zero parece perigosa, tanto para as Polícias como para os restantes cidadãos. É que, depressa poderá vir à cabeça: diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

Estarão os polícias seguros? Estaremos nós seguros? Conhecendo a história de violência da extrema-direita do séc. XX, esta posição de um dirigente sindical, que não sei se fala por todos, é inadmissível. Não vale tudo. É neste caldo que o fascismo cresce. E não pode.

Imagem: Victor Pinto

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