Proprietários de Pedrógão vendem terrenos com medo das multas por falta de limpeza

Agentes imobiliários da região de Pedrógão Grande relataram à Lusa que os proprietários das zonas afectadas pelo grande incêndio de 2017 começaram a contactar as agências com o intuito de venderem os terrenos com receio das multas por falta de limpeza.

Segundo um dos agentes imobiliários, a situação praticamente não existia até há pouco tempo, mas terá mudado há cerca cerca de um mês, após notícias sobre o reforço da obrigatoriedade da limpeza dos terrenos e da aplicação de coimas aos proprietários que não cumprissem a lei.

“Na altura, depois dos incêndios, estavam na expectativa de receber algum apoio ou não queriam simplesmente vender. Agora, como se fala em coimas, todos os dias recebemos telefonemas de pessoas que querem pôr propriedades à venda”, disse, acrescentando que os proprietários pretendem vender os terrenos por diversas razões, nomeadamente por terem feito a limpeza ou pago por ela e agora “é como se não tivesse sido feita” por causa da chuva que entretanto caiu na região que fez crescer de novo a vegetação.

Já um outro agente imobiliário da região referiu que não regista grande alteração no mercado, porém nota que há cada vez mais situações “em que as pessoas quase que dão o terreno só para não terem a responsabilidade de os ter de limpar”. “Gastam 400 ou 500 euros para limpar, quando de dez em dez anos, se calhar o terreno dá 1.000 euros em madeira”, disse. Quando questionado, um outro de agência sediada na Lousã referiu que foi notado um “pequeno aumento, mas nada de exponencial”. No entanto, considera que “é provável que aumente” o número de pessoas a querer vender prédios rústicos, bem como uma redução do valor desses terrenos.

O desânimo dos pequenos proprietários, acrescido da falta de incentivos que há para a reflorestação das propriedades rústicas, quer de cultivo, quer florestais, são outras razões apontadas para estas decisões. A situação provoca apreensão pois poderá levar à concentração de propriedade naqueles com mais poder económico para adquirirem estas terras, que agora estão em perigo de serem vendidas ao desbarato.

 

Foto: Lou Angeli Digital on Visual Hunt

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