Por uma esquerda verdadeiramente democrática e socialista!

O que está a acontecer à Direita, mais especificamente ao CDS-PP, deveria servir de lição à Esquerda, mais propriamente ao BE. O CDS-PP está praticamente morto. Por culpa própria do uso da arrogância e da prepotência de quem se besuntou no lamaçal do Poder. Do Poder a qualquer custo!

A história política e a sociologia traz-nos ensinamentos. É uma questão de sabermos ler os sinais. O tempo das masmorras e dos presos políticos terá terminado, é certo. Mas os heróis não morrem! Respeitam-se! Assim como o eleitorado anónimo.

Não podemos servir-nos dum Partido para exigirmos nas ruas o direito da igualdade, lutarmos pelas minorias, combatermos as injustiças e, simultaneamente, dentro de portas, praticarmos precisamente o oposto.

Silenciar quem tem uma voz contrária. Perseguir quem denuncia. Calar quem tem uma opinião diferente. Abafar quem apresenta uma ideia inovadora. Isolar quem denuncia práticas desviantes ou ações menos regulares para a sociedade! Desqualificar quem reprova a promoção dos filhos e afilhados do compadrio familiar e ou de um sistema refém de fantasmas de peso ou de vitórias morais. Subestimar quem deu tudo pela mesma causa. Isto não vinga!

O seu a seu dono! Ou então teremos de formar grupos e movimentos associativos que, embora fragmentados e minoritários, reivindiquem pelos seus direitos e pelos direitos de todos! Assim, provavelmente, até esses se juntarão à causa, afinal trata-se de minorias, e é preciso discriminar, sem receios, os votos conscientes dos votos “vendidos”.

O BE nasceu precisamente para combater a oleosidade de uma Esquerda sebosa! De uma Esquerda viciada! De uma Esquerda tentacular! De uma Esquerda de Poder unilateral! Mas também de uma Esquerda cansada, velha, desgastada! Daí a necessidade de se criar uma verdadeira pluralidade à Esquerda. Uma Esquerda verdadeiramente democrática e Socialista!

Com mais ou menos defeitos, porque não há perfeições na dinâmica dum mundo gerido pela busca da resposta à velocidade das necessidades do tempo, o BE soube, quase sempre, criar um novo flanco político e pautar-se pela positiva num espectro político-partidário negro, cheio de vícios, recheado de podridão, também vincado pela Direita capitalista!

Assim, foi “parido” há 20 anos o BE por uma espécie de espírito santo engravidado pelo que muitos apelidaram de diabo para ordenar um falso paraíso de Adãos e Evas governado por serpentes! Algumas continuam vivas num covil escondido, mas sequiosos do Poder!

Uma nova forma de estar e fazer política, nasce assim o BE com uma luz de esperança! Tenha sido pelo descontentamento daqueles que sentiram um PCP morto, de um PSR desequilibrado, de uma UDP com vontade em ressuscitar ou pela necessidade literal de uma verdadeira Esquerda, ganhou forma uma nova estrutura capaz de alavancar o país e mais ainda, aquele país pobre, excluído, escondido e menosprezado, ainda com sequelas do Salazarismo e até do Cavaquismo.

Por isso, as portuguesas e os portugueses, merecem respeito e, mais ainda, podem e devem exigir esclarecimentos credíveis, por lhes terem escriturado a responsabilidade de representarem actualmente a terceira força política!

Isto não germinou do acaso. Passadas duas décadas tudo mudou! Há muitos outros sinais para descodificar! A presença de Ventura, aclamado no meio da multidão policial, não é para ignorar, muito menos sobrevalorizar!

É preciso, que a sobranceria do horizonte das lideranças gananciosas desçam ao nível onde começaram. Ou subam! Depende do ponto de vista. Ainda assim, que subam ou desçam à humildade de quem está na política para servir os mais necessitados, os mais excluídos, os mais desfavorecidos, os mais esquecidos! Respeitar as bases, é o mesmo que dizer, respeitar os militantes, respeitar o eleitorado. Respeitar as portuguesas e os portugueses!

A forma como se encara a luta partidária, mesmo a interna, não pode superar a defesa da representação do povo e, sobretudo, de todos quantos os designaram para seus representantes, sem nos desviarmos do foco principal – defender e representar o legado da história de uma nação: OS DIREITOS DO SEU POVO!

Hoje uns, amanhã outros, mas todos pela mesma causa! Sei bem que a partilha deste meu pensamento pode matar-me politicamente, mas jamais enterrerá na mesma cova o meu pensamento livre e a minha liberdade de expressão.

Não vou pedir para acordarem as vossas almas, eventualmente muitas prisioneiras, mas peço-vos para não deixarem dormir as vossas mentes livres! Sobe ao Poder e desce à realidade do Povo.

1 comentário em “Por uma esquerda verdadeiramente democrática e socialista!”

  1. A sua opinião será com certeza partilhada por muitos dos que estão envolvidos de forma activa e militante no BE.
    A minha perspectiva é menos dramática.
    Provavelmente porque estando de fora, não me apercebo de algumas tentativas de protagonismo, de arrogância, carreirismo ou, o que será pior, de ausência de auto-crítica ou de um défice de centralismo democrático.
    Vejo as coisas como certamente muitos milhares de portugueses vêem; isso pode ser uma limitação, mas também tem a virtude de conseguir avaliar os resultados de forma pragmática e é assim que vi como positivo o desempenho do BE na última legislatura.
    Houve falhas mas é sempre difícil encontrar um equilíbrio entre o que é necessário, urgente e possível, porque existe o risco de sermos tímidos a pedir ou irrealistas a exigir.
    Para além de algumas atitudes, propostas ou frases que me pareceram por vezes um bocado desenquadradas da principal razão de ser do BE e das primeiras necessidades dos portugueses, ficou-me a ideia que houve sempre uma oposição às inclinações e escorregadelas do PS para o lado do PPD. Também, diga-se, o BE não tem peso dentro da AR que lhe permita ir muito mais longe; mas como já disse noutros comentários, a luta não se faz apenas em S. Bento.
    Sem pré-acordos com o actual governo, cabe agora ao Bloco fazer-lhe oposição, se possível ainda mais fundamentada e sobretudo confrontando-o sempre com factos.
    É esta imagem de oposição realista que o BE deve manter e é essa atitude que os portugueses apoiam.
    Para isso terá de sobreviver e fortalecer-se internamente, através de um debate interno sem exposição mediática, já que até foi possível, apesar das divergências, constituir o BE há duas décadas!

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