Pela Soberania Alimentar: Vamos produzir, comprar e comer localmente

“Ter uma dieta saudável é nosso direito e é nossa luta.”

A Via Campesina, organização internacional de defesa dos camponeses e do mundo rural., afirma ter chegado a hora de transformar nossas sociedades em favor da Soberania Alimentar e da Agroecologia Camponesa. Por isso celebra em 16 de outubro o Dia Internacional de Ação pela Soberania Alimentar dos Povos e contra as transnacionais.

“Nós somos o que comemos! Ser capaz de comer alimentos saudáveis é um direito fundamental!” – afirma a Via Campesina.

“Atualmente, é urgente insistir que a produção agrícola de camponeses, cultivada em harmonia com a natureza, não seja apenas um ato para exigir nossa autonomia e nossa Soberania Alimentar, mas também um ato de resistência à agressiva concentração corporativista sofrida por nossos sistemas e hábitos alimentares.”, sublinha.

Em todo o mundo, todos os que produzem alimentos enfrentam “grandes desafios decorrentes da influência e controle das corporações transnacionais sobre sistemas alimentares.”

O controle dos ativos comuns e essenciais da humanidade e da natureza está cada vez mais concentrado nas mãos de uma elite rica e isso tem sérias consequências para a maioria da população e seus direitos.

No setor agrícola, a agricultura intensiva baseada em monocultura está cada vez mais comprometida com altas doses de agrotóxicos e venenos que colocam em risco a saúde e destroem tanto as culturas camponesas quanto a própria vida. Essa destruição se manifesta na grilagem de terras, poluição da água e do ar, mineração extrativista, poluição alimentar, perda de biodiversidade e até na matança de camponeses, lideranças e povos indígenas. Enquanto a crise climática continua a piorar.

Nesse contexto, produzir alimentos saudáveis, apoiar mercados locais e ter uma dieta equilibrada “são atos de resistência que garantem o desenvolvimento local com base na equidade, justiça e dignidade.”

A Via Campesina defende a Soberania Alimentar “como o direito dos povos de ter alimentos saudáveis produzidos por métodos agroecológicos sustentáveis.” Ao apoiar a soberania alimentar local, geramos estratégias para resistir e desmantelar o sistema alimentar corporativo atual — explorador, destrutivo e repressivo — e avançar em direção aos sistemas alimentares, agrícolas, pastorícios e de pesca que são determinados pelos produtores e consumidores locais”

2 comentários em “Pela Soberania Alimentar: Vamos produzir, comprar e comer localmente”

  1. Podemos começar por aplicar boas práticas nas cantinas e refeitórios por todo o país; já era uma melhoria para centenas de milhar de pessoas, entre produtores e consumidores.
    Num artigo de opinião sobre a questão da qualidade dos alimentos e da sua produção e consumo segundo critérios de proximidade – creio que da autoria de Carlos Matias – sugeri que todos os organismos que confeccionam ou recorrem ao catering para o fornecimento de refeições, declarem mensalmente e de forma discriminada às respectivas tutelas, o que compram, a quem compram e a que preço.
    O Estado, já que paga, não terá autoridade para exigir informação de como os recursos públicos são gastos?

  2. “A proposta do PAN para que no próximo ano o Governo elabore um plano anual de controlo da qualidade das refeições servidas nos estabelecimentos da administração pública. O objectivo é “assegurar a monitorização dos encargos com as concessões” das refeições servidas em todas as cantinas e refeitórios cuja gestão, directa ou através de concessão de exploração, seja assegurada pelos serviços e organismos da administração central, regional e local, bem como dos institutos públicos. Não inclui, porém, as refeições servidas nos estabelecimentos de educação e ensino público”. [jornal Público, hoje].
    Parece ser um princípio para se perceber quem anda a comprar o quê, a quem e a que preço.
    Se essa informação vai servir para corrigir os gastos desnecessários e deixar de encher os bolsos da grande distribuição alimentar e das ‘conveniências’ no catering, é uma forte dúvida que tenho.
    Talvez fosse oportuno alguém no parlamento propor que a desejada produção e consumo de proximidade, seja analisada e corrigida à luz desses dados.

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