Obviamente… Chumbado

Chegámos a vésperas de votar o OE2020 e ainda não sabemos se os partidos da esquerda vão chumbar este Orçamento cheio de desfaçatez e falta de preocupação com as reais necessidades do país, ou se optam uma vez mais por utilizar o “nim” que seria a sua viabilização. A 16 de dezembro, aquando da apresentação deste Orçamento, o governo fê-lo sem qualquer tipo de negociação com a esquerda, demonstrando muita sobranceria e altivez em relação aos parceiros parlamentares que o ajudaram a governar durante a anterior legislatura.

Chegamos assim ao ponto em que o prego não dobra mais, estamos exatamente onde o PS nos queria levar desde o primeiro dia, a um governo monopolizado pelas políticas de Centeno para fazer boa figura em Bruxelas enquanto cá no burgo o povo que aguente.

Saiu esta semana uma noticia de que o governo teria gasto em médicos tarefeiros cerca de 108 milhões de euros, ora com essa quantia podiam ter sido contratados para o SNS três mil médicos para cobrir as necessidades do setor, mas não ficamos por aqui, esses tarefeiros foram pagos a peso de ouro, alguns, segundo noticias veiculadas na comunicação social, chegaram a auferir dez mil euros mensais, muito mais que os médicos no topo da carreira. É assim que o PS vai governando o país.

Existem zonas no país a necessitar da construção de novos hospitais, pois os que existem já não têm capacidade de resposta. Havia esse compromisso no OE2019 (nomeadamente para Barcelos/Esposende e Póvoa/Vila do Conde), mas na proposta para 2020 esse compromisso desapareceu, o que significa menos SNS e mais privados. Este fim de semana no Hospital de Braga, na ala pediátrica só existiam dois médicos, a espera chegou às oito horas, tendo a PSP sido chamada ao local e o livro de reclamações ter sido totalmente preenchido. É urgente a construção do novo hospital público de Barcelos, mas até lá, é necessário que os existentes, prestem valências que possam proporcionar aos cidadãos outras alternativas que não somente o Hospital de Braga, muitas vezes sobrecarregado por doentes de todo o distrito de Braga e áreas limítrofes.

A esquerda deve mostrar claramente o cartão vermelho ao PS, apregoamos tanto contra a abstenção na altura das eleições e depois num momento tão importante como este vamos abster-nos? Algo aqui não bate certo, não bate a bota com a perdigota. O caminho, e que nos chamem radicais, é só um: o chumbo do OE. Este não serve os interesses do país e faz de cada um de nós cidadãos de segunda. Se aqueles que nos representam erguerem a vós da nossa vontade possivelmente acabar-se-á a sobranceria e altivez de um governo que nos está a levar novamente para a situação onde estávamos em 2015.

Vivemos num país que apoia mais a banca do que o sector público, deixando para trás as carreiras dos professores, médicos, enfermeiros e tantos outros profissionais que tanta falta fazem ao desenvolvimento do país. O interior está desertificado por falta de apostas que fomentem o regresso dos jovens às cidades do interior, muitos deles com formação universitária veem-se na obrigação de partir porque as suas áreas de residência não oferecem soluções para a sua continuidade. Em vez disso, António Costa quer que os ministros circulem em carros elétricos dentro da cidade, mais um gasto desnecessário, pois cada ministro auferirá no mínimo de dois veículos, um para deslocações largas e outro para citadinas.

Chamo a isto o governo da desonra, e desonra quem com ele caminha, quem não é capaz de dizer NÃO. O voto só pode ser um neste OE2020: chumbado, obviamente.

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