O tempo é de afirmação do Bloco de Esquerda

Intervenção na XI Convenção do Bloco de Esquerda, em 10 de Novembro

A XI Convenção do Bloco de Esquerda assinala o fim de um ciclo que gostaria de registar brevemente. Desde a IX convenção, muito disputada e difícil, mas clarificadora quanto à capacidade e força do Bloco para enfrentar as suas próprias dificuldades, difícil, mas firme na sua democracia interna, difícil, mas capital na defesa da pluralidade e respeito pelas diferenças internas.

A resposta foi forte e, no processo eleitoral que terminou a 4 de outubro de 2015, resultou no melhor resultado de sempre nas legislativas e na eleição de 19 deputados.

Passado estes 4 anos afirmámos o Bloco de Esquerda como força imprescindível na democracia portuguesa. Respondemos com uma coordenadora nacional afirmada e reconhecida na defesa intransigente de uma alternativa de esquerda.

Respondemos às acusações de «deriva sectária» e «dificuldade no diálogo à esquerda» com desafios ao Partido Socialista e à esquerda para uma solução, para derrotar a política de direita troikana de austeridade e de empobrecimento do povo português.

Foi um percurso difícil, mas valeu a pena. Surgiram dúvidas, naturalmente, mas chegados aqui, podemo-nos orgulhar que fomos decisivos no virar da página da austeridade. Nunca mais nos poderão falar num tal voto útil que só funcionava para os partidos do bloco central.

Chegados ao fim de um ciclo legislativo em que ousámos influenciar as decisões governamentais, coloca-se naturalmente o problema da solução governativa futura.

Certamente que muitas opiniões existem sobre cenários futuros, se devemos correr mais por dentro ou mais por fora. Considero que o tempo é de afirmar a nossa política, o nosso programa e a nossa alternativa governativa. Continuo a ter presente a frase da nossa fundação, não esperamos nada do PS, nem ficamos à espera do PCP. O Bloco precisa de ter mais força para poder ter mais capacidade de lutar por novas mudanças na sociedade, na economia, no Estado social, nos direitos e na luta contra as injustiças.

A proposta da Moção A garante e acautela esse debate e as decisões que venham a ter de ser tomadas após eleições legislativas.

A realização de um debate que envolva todo o Bloco e um referendo interno, é no meu entender muito importante e o garante de uma reflexão profunda e democrática na definição do futuro.

Saúdo e destaco este parágrafo «O Bloco tem hoje aderentes e iniciativa em mais concelhos do país e é reconhecido em todo o território como interlocutor em políticas nacionais, regionais e locais. Os aderentes do Bloco serão chamados a debater e a pronunciarem-se em referendo interno sobre propostas de acordos com outras forças políticas que eventualmente venham a surgir na sequência dos resultados das eleições legislativas».

O tempo é de afirmação do Bloco de Esquerda, de trabalho junto do nosso povo criando pontes de afirmação do projeto político e das nossas propostas, afirmação da nossa política. Para isso é fundamental mobilizar o partido. Os três desafios eleitorais que temos no próximo ano, europeias. madeira e legislativas assim o exige.

O olhar da convenção perante estes desafios deve ser a mobilização do partido. Exige um reforço da nossa mobilização, um olhar de complementaridade com as regiões e concelhias, com os nossos autarcas, com os ativistas sindicais, com os movimentos sociais, com os ativistas ambientais, com as regiões do interior, com os movimentos de imigrantes, movimento das causas feministas e igualdade de género, movimento dos precários e da defesa dos animais, com as nossas causas e que construem o nosso ADN.

Permitam-me um olhar breve sobre a atividade autárquica. Faço parte de uma região e de um concelho que constituem a maior representação autárquica do Bloco de Esquerda, seja proporcionalmente ou em termos absolutos.

Mas não estamos satisfeitos com isso. Queremos aprofundar trabalho próximo das populações, respondendo às suas necessidades, aos seus anseios, às suas legitimas ambições. Só este trabalho diário junto da população pela qual fomos eleitos permite crescer e afirmar o projeto do Bloco de Esquerda também ao nível local.

Este trabalho é indispensável, fortalece-nos politicamente e reforça-nos organicamente. A XI Convenção e a nova Direção do Bloco tem de melhorar as condições para fortalecer a capacidade de trabalho dos autarcas e das organizações concelhias e distritais.

Só assim conseguiremos reforçar o Bloco, a sua política e aumentar a base social de apoio. Só com organizações locais e regionais fortes podemos crescer sustentadamente de forma a encarar o futuro com a esperança de uma política de mudança que representa a força do Bloco.

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