O resultado das Europeias e as Regionais: Uma perspetiva (apenas isso!)

As eleições europeias, realizadas no passado domingo, foram marcadas, uma vez mais, por uma elevada abstenção, ainda que a mesma tenha diminuído na Região Autónoma da Madeira, o que é sempre de saudar. No entanto, este texto não tem por objetivo fazer grandes análises aos níveis de abstenção, o que deixo para os especialistas, muito mais avalizados que eu.

Olhando para os resultados, verificamos que o PSD Madeira teve mais cerca de 10 mil votos do que havia tido nas Europeias de 2014, onde havia concorrido em coligação com o CDS. Isto significa que o PSD e o CDS, somados, tiveram mais cerca de 18 mil votos do que haviam conseguido, em coligação, há 5 anos. Por outro lado, mesmo tendo perdido as eleições, o PS teve mais 6 mil votos do que havia conquistado em 2014, enquanto que o BE também conseguiu mais 2 mil votos do que nas últimas europeias. Estes avanços de PS e BE, mesmo sendo, em termos percentuais, os mais baixos que estes partidos conseguiram em todos os distritos e regiões do país (tendo ficado abaixo da média das subidas registadas a nível nacional), constituem um bom ponto de partida para batalhas futuras não podendo, contudo, ser barómetros a transpor para as Regionais ou Legislativas Nacionais.

Desde logo porque, nos atos eleitorais de Setembro e Outubro, a abstenção será incomparavelmente inferior – muito mais pessoas irão votar (em quem?!) -, o partido Juntos Pelo Povo (JPP), que tem a Câmara de Santa Cruz e as 5 Juntas de Freguesia deste Concelho – além de 5 deputados no Parlamento Regional -, voltará a candidatar-se indo recuperar muitos votos que terão ‘fugido’, domingo passado, para outras forças, além do facto da CDU (PCP-PEV) ter sempre, em eleições regionais, muito mais votos do que noutros atos eleitorais. A acrescentar a tudo isto, a bipolarização será intensificada e existirão, também, outros partidos extraparlamentares que tudo farão para conseguir aproximar-se da eleição de um deputado, com o PAN na ‘grelha de partida’ para atingir esse desiderato.

Nas eleições regionais da Madeira, o BE deverá crescer

À Esquerda, que é o que verdadeiramente interessa, o PS, se não cometer (mais) erros graves, pode aproximar-se do PSD ou até ultrapassá-lo; O BE, que tem todas as condições para desenvolver uma campanha, potenciada pela excelente onda nacional e pelo trabalho dos novos dirigentes regionais, deverá alcançar um crescimento eleitoral que possibilite a eleição de mais deputados, que seriam imprescindíveis para a construção de uma alternativa de governo, com políticas de Esquerda; A CDU, apesar dos maus resultados do partido a nível nacional que, podendo prejudicar a estrutura regional, deverá dar a volta e ser capaz de segurar os dois parlamentares que agora tem será, tal como o BE, imprescindível para virar à Esquerda o governo da Região; O JPP, que já não terá a pujança das últimas eleições regionais, deverá, ainda assim, eleger 2 ou 3 deputados que podem ser importantes para formação de um governo à direita ou à Esquerda; O CDS, que deverá perder, sensivelmente, metade dos deputados, poderá ser, ainda assim, o seguro de vida do PSD que, à Direita, poderá formar governo de coligação, mesmo que não seja o partido mais votado contando, ou não, com o apoio do JPP ou, eventualmente, do PAN, Aliança e Iniciativa Liberal, caso elejam, pelo menos um deputado.

Ainda em relação ao CDS, que já nos habituou a queijos limianos, a coligações autárquicas com o PS pelo Funchal e Santa Cruz (coligação de 2001, PS-CDS, encabeçadas, em Santa Cruz, pelos atuais presidente e vice-presidente da Câmara, agora do JPP), nada garante que não possa oferecer-se ao PS para viabilizar um governo híbrido, que mantenha os privilégios e os interesses instalados da burguesia madeirense que cresceu à sombra do PSD. Nesse caso, perderá a Madeira uma oportunidade de ouro para implementar uma verdadeira alternativa de governo que vá ao encontro das necessidades da maioria da nossa população. Situação que deixaria BE, PCP e PTP (caso eleja), naturalmente, na oposição.

Edição e subtítulo: Via Esquerda

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