O “interior” dos Partidos

Quando vemos estruturas partidárias defenderem, e bem, medidas de apoio e protecção aos mais desfavorecidos e necessitados, lutarem pela igualdade de género e contra as discriminações, caminharem para socorrer o ambiente e o futuro do mundo, estimularem o direito ao trabalho digno, intervirem convictamente na exigência de uma velhice merecida, mediarem interesses privados por uma democracia verdadeiramente equitativa, combaterem o capitalismo na Europa, entre tantas e tantas lutas tão dignas quanto necessárias, cabe-nos, também a nós, os mesmos políticos que batalham fora de portas, impor essas mesmas causas dentro das próprias estruturas.

Falar para dentro é também democracia. Infelizmente nem sempre acontece. O tempo da política dos rebanhos já morreu há muito, daí a emergência de novas comunidades partidárias. É preciso trabalhar mais e melhor. É necessário reajustar algumas estratégias partidárias. É fundamental coadunar as políticas às diferentes realidades territoriais. É imperativo beber as riquezas naturais, as tradições culturais e, sobretudo, respeitá-las!

Com esta dimensão alcançada, passa também a haver um dever acrescido do BE investir categoricamente de uma forma mais equitativa, diria até, por ser necessário, recorrendo a uma discriminação positiva no desígnio das suas políticas junto das freguesias mais distantes do centralismo, sem descurar, obviamente, as grandes urbes.

Os Partidos são tão mais sólidos e sustentáveis quanto mais colherem as divergências de opiniões e respeitarem o pensamento crítico. Se assim o forem, cumprem com a sua missão!

Como todos os Partidos nasceram nas grandes metrópoles, onde há efectivamente muita gente, talvez por isso, se esqueçam do resto do país, sobretudo das zonas mais desfavorecidas e desertificadas, como é o caso por todos reconhecido do chamado “Interior” que, por este andar, qualquer dia tem um mapa exclusivo de desprezo.

Este tal “país” – Interior, existe para lá dos períodos eleitorais. Neste aspecto, o BE tem aberto algumas portas. Mas está tudo bem? Óbvio que não. Não há organizações perfeitas e por isso são evolutivas, medram as que consentem a aprendizagem com a simplicidade de quem está a servir uma causa pública. Há que assumi-lo com frontalidade e sem medos através de respostas construtivas!

O crescimento do BE que ditosamente extrapolou os muros dos centros urbanos, acarreta igualmente a obrigação em abrir ainda mais os ângulos de socorro do futuro das pessoas e até a responsabilidade em criar outras políticas sustentáveis cirúrgicas e inclusivas para esta parte do território tão massacrada.

O aumento do eleitorado que deposita a sua confiança no BE é inegável e foi comprovado uma vez mais nas últimas eleições Europeias. Para esse resultado, também nós, os tais do Interior, contribuímos muito orgulhosamente. Legitimar este feito não é um acto de superioridade, mas antes, um reconhecimento justo.

Aproximam-se as Legislativas e com elas mais um árduo trabalho, afinal somos actualmente a terceira força política do país, de todo o país! Chegará a hora de juntar forças e lutar pelas causas.

Nós, os “interiorizados” de Alijó, por cá continuaremos desbloqueados de preconceitos e prontos para lutar com o BE nacional ao peito pelas pessoas e pelas terras, contra a astúcia e as tácticas maquiavélicas do poder do cacique implementado localmente pelos partidos do arco da governação.

 

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