O Brexit vai mesmo acontecer?

“Ser cidadão Europeu é poder sair-se da União Europeia, já que o Tratado da União Europeia prevê a cláusula de opting out aos Estados-Membros no artigo 50º, sendo que, quando haja saída de um Estado-Membro da União, esta deve ser legitimada pela vontade do povo (…)”, escrevia em tempos, num ensaio puramente académico. Mas o artigo 50.º saiu do livro e ganhou vida. Fragmentou-se, o Reino Unido tem data marcada de saída da União Europeia para 29 de março de 2019.

Neste instante, enquanto nos distraímos com a “trampa” que corre do outro lado do mundo, escreve-se um dos maiores desafios da União, na sua vida já adulta. O termos dessa saída (ainda desconhecido) de um dos Estados fundadores poderá ser à custa do cumprimento das regras europeias e da liberdade de circulação. Não é novidade que, a livre circulação de trabalhadores sempre foi contestada por Inglaterra, restando a cooperação económica, assente nas liberdades de circulação de bens, serviços e capital, como o grande factor a ser negociado (qual fruto proibido e mais apetecido.)

Mas May terá ainda que fazer aprovar no Parlamento Britânico tal acordo, o que tem gerado uma nova onda pró-europeia, que poderá bloquear a sua aprovação, na tentativa de levar o Reino Unido a um novo referendo. Ainda, dentro da União e de acordo com todas as sensibilidades políticas que os Estados vão vivenciando, o acordo terá que ser rectificado por todos.

É certo que, o crescimento da extrema-direita um pouco por toda a europa, tem como mote a insuficiência das respostas da União face às crises financeiras e as crises migratórias – que se potenciou numa crise de entidade da própria União. Mas a experiencia do Brexit não pode ser menos valorizada, pois ela equaciona, o real custo de dizermos não à União Europeia, e faz-nos pensar no status quo ante, em que cada um crescia por si e (só) para dentro de si. O que nos custa e que nos trás viver em União?

Para essa pergunta, uma resposta: dissociar fenómenos como Bolsonaro, Trump ao Brexit é errado e só inconsequente, pois todos eles são legitimados pela fomentação do medo, não esqueçamos isso.

 

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