O 25 de Abril e Otelo

Otelo Saraiva de Carvalho, oficial das Forças Armadas portuguesas, morreu.

Importa, pois, averiguar se, efectivamente, se verificou o passamento do cidadão Otelo.

Biologicamente, parece não haver dúvida: Otelo faleceu em 25 de Julho do ano em curso.

Há, porém, outo tipo de morte.

Essa, não consta de nenhuma certidão de óbito, mas, pode ser mais violenta que a física.

Chamemos-lhe a morte do espírito, na memória.

Com Otelo só a primeira ocorreu.

Todos aqueles e aquelas para quem a memória sustenta a vida, não esquecerão.

Otelo Saraiva de Carvalho, além de Homem, com as suas qualidades e defeitos, é também um símbolo.

Símbolo do 25 de Abril.

Queira-se ou não, goste-se muito, pouco ou nada, Otelo Saraiva de Carvalho permanece vivo no coração e na cabeça, nas entranhas e na memória de todos os que sonharam, desejaram, lutaram pela liberdade.

Em Portugal e em qualquer parte desta terra que é o nosso mundo, o homem, é ele próprio e as suas circunstâncias na frase conhecida de Ortega Y Gasset.

A História, como alguns disseram, dirá, certamente, o que entender e lhe aprouver.

Para mim e, de certeza muitos mais, não necessitamos de aguardar pelo seu veredicto.

Sem olvidar, já o absolvemos; sem transigir, não esqueceremos.

Hoje já é um herói do povo, não amanhã, para Sempre, na nossa memória e dos vindouros.

Ah!… Quanto ao “luto nacional”, dir-se-á, tão só: no momento certo, com coragem e firmeza, sem temeroso calculismo, ou outro, exigem-se actos e não apenas palavras. Vem tarde, quem não soube estar, quando não podia faltar ao encontro com a gratidão.

Obrigado, Otelo Saraiva de Carvalho, um dos militares de Abril de 1974.

 

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