“Não posso garantir” que não morram doentes por causa da greve…

O título acima é mais uma das reações extremas proferidas pelo bastonário da Ordem dos Médicos a propósito da greve dos enfermeiros, na linha aliás da ministra que disse: “Há doentes que se não forem operados agora podem ter sequelas graves”. Ao que chegou o argumento populista… É claro que quando á risco de vida a operação tem de acontecer, essa é a responsabilidade do profissional de saúde, médico ou enfermeiro.

Com o anúncio de greves até ao final do ano e algumas mesmo para janeiro de 2019, nos diversos setores profissionais do privado e do público, da Petrogal aos Portos, do Metro do Porto ao setor da restauração e da hotelaria, da vigilância privada, dos professores aos médicos, dos oficiais de justiça aos juízes, da função pública aos enfermeiros, a todos é colocado uma pergunta sacrossanta: não foram decretados serviços mínimos? Vai ser decretada a «requisição civil» para algum destes setores?

Os “fazedores de opinião encartados”, toda a direita e mesmo franjas da extrema-direita e até ordens corporativas insistem na “tecla”, procurando virar a opinião das pessoas contra os trabalhadores ou os profissionais das várias áreas.

Procuram esconder a precariedade extrema em que muitos vivem, a degradação dos serviços públicos essenciais continua a agravar-se, a intensidade extrema do seu trabalho e horários praticados, as carreiras profissionais destruídas, os salários baixíssimos praticados, a pobreza continua presente.

O salário mínimo vai aumentar (para 600€) graças ao Bloco de Esquerda (mas havia condições para se ir mais além) mas os restantes salários continuam em baixo (menos os dos gestores ou patrões, claro está!), a contratação coletiva não dá sinais de retoma e as denuncias para as fazer caducar continuam ou são substituídas por direitos coletivos abaixo da lei do código de trabalho.

Os trabalhadores da função pública e os demais setores viram como o governo PS fez um simulacro de negociação coletiva, (nos professores foi ridículo…) mas a imposição foi o centro da decisão. Só 50 a 70 mil funcionários públicos viram-lhes ser anunciados aumentos salariais, para trás ficam mais de 600 mil. A reconstituição das carreiras e 10 anos sem aumentos são perspetivas bem presentes.

O governo PS e Centeno podem ser “fortes com os mais fracos”, podem constituir almofadas financeiras para resgatar os bancos ou pagar ao FMI antecipadamente mas não podem continuar a restringir o direito de greve como têm feito e a hipotecar o futuro de quem trabalha e o desenvolvimento do País.

 

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