Não há palavras para descrever a tragédia na Beira e em Sofala

Não temos palavras para descrever a tragédia que se vive na zona da Beira e Sofala. Contemos as lágrimas e um soluço abafado que acaba por não sair. A hora é de ajudar estas pessoas, que de repente do pouco que tinham ficam sem nada e a quem a morte bate à porta sem avisar. O pânico está refletido no rosto desta gente de quem teme pela sua vida e da família.

Passou uma semana e ainda não se consegue ter uma noção exata da extensão da tragédia. Gritos de dor, fome, ouvem-se nos poucos vídeos que nos vão chegando. Relatos daquilo que é estar no meio de água durante oito dias sem poder sair. Testemunho de pessoas que estavam em Sofala na altura do ciclone referem a situação catastrófica e dantesca.

Relatam que: “desde a noite do dia 14 ficamos sem luz, combustível, comida, água potável, estradas. Este ciclone deixou um rasto de morte e destruição, como não há memória. O telhado do hospital caiu e 5 recém-nascidos morreram, mais 160 pessoas morreram devido à falta de energia. Não há postes de eletricidade e as arvores bloqueiam as ruas. O vento atingiu os 230km/h, nada resistiu e as casas ruíam como baralhos de cartas. As estradas foram engolidas, no seu lugar a lagos com crocodilos e pessoas presas nas arvores”.

Aldeias inteiras desapareceram e dezenas de corpos flutuam nos rios Buzi e Pungue.

O governo acredita que o número de mortos acenderá a mais de mil.

As organizações só agora conseguiram chegar a algumas zonas, mas ainda não conseguem chegar a todo o território que foi afetado pelo ciclone. Ouvimos relatos e vemos imagens que nos deixam paralisados, pessoas que gritam com fome, corpos que aparecem a boiar. A destruição e a morte estão por todo o lado. E ainda agora começou a ajuda, somos confrontados com as cheias nas bacias dos rios Buzi e Pungue, que apesar de estarem a ser controladas as descargas das barragens, estas estão no máximo e têm de descarregar antes que rebentem, o que ainda seria uma tragédia pior. Chuvas torrenciais estão previstas para esta noite e até domingo. Mais de 15mil pessoas continuam isoladas. O salvamento das pessoas tem estado a ser feito por helicópteros vindos da África do Sul tentando salvar o máximo de pessoas.

O país mobilizou-se para apoiar estas populações e fazer chegar-lhes produtos que tanto necessitam. E mesmo quem nada tem, vai às organizações e dá o que lhe vai fazer falta. Muita gente se voluntariou para descarregar e separar, condicionar as toneladas de alimentos, roupas e outros produtos de necessidade extrema, assim como participaram na organização logística.

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