Marisa, obviamente!

Certamente que o leitor já se apercebeu que, no próximo dia 24 deste mês de Janeiro, teremos Eleições Presidenciais. Nesse dia em que escolheremos o ou a Presidente da República, para os próximos cinco anos o voto não é, apenas, um mero exercício de um direito. Neste ato eleitoral jogamos muito mais que isso. A escolha será entre a defesa de melhores condições de vida para os portugueses e o encolher de ombros e de resignação perante as adversidades que Marcelo tem ensaiado ao longo do último mandato.

O Presidente das selfies tem sido pouco mais que uma figura simpática, que até visita várias zonas do país quando existem problemas, mas depois a sua ação redunda num imenso nada. Que problemas resolveu Marcelo, efetivamente, neste último mandato?! Que fez pelos direitos dos trabalhadores deste país?! Que magistratura de influência utilizou na defesa dos serviços públicos essenciais, e no seu reforço, em prol de todos nós?! Em tempo de pandemia, porque não exigiu que os serviços privados de saúde fossem requisitados para responder à calamidade sanitária que vivemos?! Não basta a simpatia e as selfies quando precisamos de respostas concretas para os problemas que temos e cuja resolução poderia ser influenciada por um Presidente mais atuante e menos preocupado com o “dar nas vistas”.

Todavia, neste ato eleitoral joga-se algo muito mais importante e que, em anteriores eleições presidenciais, não estava em cima da mesa: o combate à extrema-direita fascista e racista. Numa altura em que o candidato do fascismo diz ao que vem e que não esconde que quer destruir a Liberdade e a Democracia, que discrimina minorias, apelidando de bandidos todos os moradores de um bairro pobre, que chama de ‘malandros’ os que recorrem a apoios sociais para poderem matar a fome, que vai fazer campanha com a líder da Frente Nacional francesa que prometeu morte aos imigrantes portugueses naquele país e que defende a pena de morte e a prisão perpétua, entre outras inenarráveis arrepiantes atrocidades, é preciso contrapor com o apoio a quem lhe faça frente e a quem se recuse dar posse a um eventual futuro governo que inclua fascistas e racistas confessos.

Marcelo já disse, no debate desta quarta-feira à noite, que daria posse a um governo que incluísse fascistas e racistas, Fê-lo, aliás, nos Açores, através do Representante da República naquela Região Autónoma, ao arrepio da Constituição que proíbe organizações de cariz fascista. Por todos estes motivos, e porque conheço o seu percurso de defesa dos trabalhadores, dos desempregados, dos imigrantes, dos refugiados, das minorias silenciadas e sobretudo da Democracia, apoio e apelo ao voto na Marisa Matias. Porque, quem a conhece, sabe que dá o peito à balas e não terá contemplação absolutamente nenhuma para com os fascismos emergentes.

 

[Artigo publicado no “Diário de Notícias da Madeira” de 8 de janeiro de 2020]

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