“Le Monde” noticia surgimento de fraturas na França Insubmissa

Em plena crise dos “coletes amarelos” que confronta nas ruas o governo de Macron, o jornal francês Le Monde, na sua edição de 30 de Novembro, faz manchete com uma alegada fratura no movimento França Insubmissa (FI), de Jean-Luc Mélenchon.

Sob o título “Acerto de contas entre insubmissos”, a notícia dá conta do afastamento da lista de candidatura ao Parlamento Europeu de dirigentes como Djordje Kusmanovic e François Cocq. Segundo o diário francês, o afastamento teria origem nas diferenças políticas entre os que se reclamam de um alinhamento “republicano, patriótico e soberanista de esquerda” e os chamados “comunitaristas”.

Djordje Kusmanovic, que era um dos porta-vozes nacionais da FI, faz referência à “extrema concentração de poder” no topo da direção “por um pequeno grupo de novos apparatchiks e burocratas de pendor social-democrata”. Este clima de tensão interna, conforme refere o Le Monde, era sentido por vários quadros do movimento que criticam a falta de democracia interna, a opacidade e a dificuldade em exprimir opiniões divergentes, o que já terá levado a várias demissões.

No blog de Jean-Luc Mélenchon, “L´ére du peuple”, um artigo de Martine Billard, também porta voz nacional da FI, com o título “Da dificuldade de escolher candidatas e candidatos às europeias”, dá conta e responde às divergências noticiadas pelo Le Monde.

Martine Billard explica que a escolha dos 79 candidatos e candidatas compete a um comité eleitoral que elabora a lista a partir das mais de 600 propostas apresentadas pelas organizações locais. A dirigente da FI garante no seu artigo que “o comité não relegou ninguém para uma posição inelegível na lista com base em nuances políticas que existam entre os membros da FI. Essa visão, de cotas baseadas em supostas diferenças políticas, é de fato o funcionamento dos partidos tradicionais, onde os líderes das tendências distribuem os lugares pelos seus filiados.”

Martine considera absurda a ideia de que “figuras com convicções republicanas e soberanas” tenham sido eliminadas da lista, porque todos os candidatos e candidatas têm convicções republicanas e o programa da FI reivindica a soberania popular.

 

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