“Iniciativa Cigana” repudia falta de isenção na cobertura do caso do quartel de bombeiros em Borba

Cinco associações representativas de populações ciganas (“Letras Nómadas”, “Ribaltambição- Associação para a Igualdade de Género nas Comunidades Ciganas”, “Associação Cigana de Coimbra”, “APODEC- Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Ciganas” e “Sílaba Dinâmica” – Elvas) enviaram um comunicado à imprensa onde apelam “a uma maior isenção” na cobertura das notícias sobre o caso dos bombeiros de Borba, ocorrido no passado dia 2 de Novembro. Dizem não terem tido direito ao contraditório. Posteriormente, a 15 de Novembro, na sequência da aprovação pela Assembleia da República de um voto “de solidariedade com os bombeiros de Borba”, o grupo “Iniciativa Cigana” emitiu uma nota de repúdio pela falta de isenção na cobertura noticiosa e de estranheza por um voto apresentado pela esquerda na AR sem qualquer referência à “violência racista de deixar sem auxílio uma pessoa em necessidade.”

Aquela recusa de auxílio no quartel dos bombeiros de Borba, entendida como uma atitude de “racismo anticigano”, originou protestos e a exigência de explicações para o sucedido. O comunicado adianta que “depois do mal feito”  fecharam-se no quartel e trataram aquelas pessoas como “criminosas e perigosas criando uma situação de confronto que se soma a uma situação de preocupação e desespero.”

De acordo com a nota da “Iniciativa Cigana”, foi montado um circo à volta do caso, “houve exploração com a coordenação cúmplice do grupo Cofina/Correio da Manhã de fazer uma cobertura sensacionalista e de narrativa fortemente anticigana, não contestada por nenhuma entidade responsável”. A associação considera  que fizeram “questão de enfatizar a pertença etnoracial da vítima e seus familiares que acorreram àquela corporação em busca de auxílio.”

A “Iniciativa Cigana” denuncia o envolvimento direto da extrema direita no caso. Refere que a “extrema direita é conhecida por estar muito bem organizada e saber montar estratégias que exploram sentimentos racistas, comunicação social e narrativas especialmente pensadas para provocar o pior nas pessoas que quer mobilizar em torno de pautas políticas fascistas não declaradas, mas que qualquer pessoa percebe quais são.”

Bruno Gonçalves, da “Letras Nómadas”, afirmou ao “Público” que “as notícias veiculadas só ouviram os bombeiros. Não se trata de desculpabilizar as agressões, mas o trabalho jornalístico tem que incidir sobre as duas partes. Assume-se que a parte dos bombeiros é verdadeira só porque são bombeiros. Não queremos fazer justiça popular, mas temos que ouvir as duas partes envolvidas”, afirmou.

Na sequência dos acontecimentos, Presidente da República e Governo ouviram diversas entidades locais, desde o presidente da Câmara até ao comandante territorial da GNR de Évora, passando pelo comandante dos bombeiros, mas nenhuma das associações ou elementos da comunidade foram recebidos em audição.

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