Governo apoia eucalipto em vez de espécies autóctones

De acordo com um comunicado dos ambientalistas da QUERCUS em conjunto com a ACRÉSCIMO, a partir dos dados do Instituto de Conservação da natureza e das Florestas (ICNF) sobre acções de arborização e rearborização em 2016 e 2017 constata-se que, “apesar dos múltiplos anúncios do Governo de combate à desflorestação, com a intenção de recuperar 150 mil hectares de floresta numa década, ou de dar prioridade ao investimento com espécies autóctones face à dramática evolução da área de plantações de eucalipto, o facto é que, no terreno, o apoio público a arborizações (e rearborizações) com espécies autóctones foi nulo”.

Já em Junho de 2017 o Bloco de Esquerda tinha pedido o cancelamento de um apoio de 9 milhões para a plantação de eucaliptos e alertava para a necessidade de se apoiar as espécies autóctones e a gestão agregada da floresta. Na altura, os deputados Pedro Soares e Carlos Matias, da Comissão de Agricultura e Mar, referiam que era extremamente contraditório que, ao mesmo tempo que se criava um consenso no país sobre a necessidade do ordenamento da floresta e o controlo da plantação desenfreada de eucalipto, o Governo, através do Programa de Desenvolvimento Rural, insistia no financiamento, em exclusivo naquele anúncio de abertura para candidaturas, da plantação de eucaliptos em áreas de grande risco de incêndio florestal.

O comunicado das duas associações ambientalistas avança também que “apesar de um anúncio em 2017 ,por parte do Governo, de um pacote de 27 milhões de euros de apoio público a acções com sobreiros, azinheiras e carvalhos, constata-se que as arborizações com estas espécies representaram apenas 13% do total das arborizações autorizadas e validadas em 2017 pelo ICNF. Não se vislumbram assim resultados do pacote financeiro anunciado. Em contrapartida, no ano passado, as novas plantações com eucalipto representaram 64% das acções de arborização validadas ou autorizadas por aquela entidade.”

Da análise dos números do ICNF é forçoso concluir-se que os apoios públicos estão a ser canalizados maioritariamente para as plantações de eucalipto, ao invés da promoção de espécies autóctones. Estas escolhas do Governo beneficiam principalmente as indústrias da celulose.

Também segundo uma notícia do jornal Público,  da autoria de Ana Fernandes, outra associação ambientalista, a ZERO, em relação ao pinheiro-bravo, alerta para o facto de que “São mais de 52 mil pessoas e quase 9000 empresas que dependem de uma espécie que está a ser varrida do território nacional. Os incêndios têm feito o pinheiro-bravo perder terreno e não parece haver forma de inverter esta tendência pois os apoios não chegam aos pequenos proprietários. Os números recolhidos pelas organizações de produtores confirmam-no: a maioria das candidaturas aprovadas aos fundos europeus para as florestas está em concelhos do sul, na grande propriedade. Que não arde. E, entre estas, uma percentagem ínfima diz respeito ao pinheiro. A ZERO considera que “deve ser equacionada uma nova geração de políticas públicas para gestão florestal no minifúndio, a equacionar já no próximo quadro comunitário, onde o pinheiro-bravo faça parte da equação, aproveitando o carácter pioneiro desta espécie autóctone, cuja instalação em áreas de solos pouco estruturados e delgados pode facilitar a transição para uma floresta de folhosas autóctones”.

Imagem: pirate_renee on VisualHunt

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