Faz hoje sentido ser feminista em Portugal?

Com a proximidade do dia 8 de março, tenho vindo a ser interpelada por diversas pessoas, de idades diferentes, na sua maioria mulheres, com seguintes questões “faz hoje sentido ser feminista em Portugal?” e “porque comemorar o Dia Internacional da Mulher em Portugal no século XXI?”.

A CGTP-IN apresentou no dia 27 de fevereiro deste ano um rol de dados sobre a situação das mulheres no trabalho em Portugal. Destaco apenas algumas das mais relevantes informações a reter sobre este assunto, esperando que todos possam, entretanto, vir a ler na íntegra o que foi publicado aqui :

  • Portugal é o terceiro país da UE com mais trabalhadores com vínculos precários, situação que atinge sobretudo mulheres e jovens. Esta realidade coloca estes grupos em maior risco de pobreza.
  • As mulheres trabalhadoras recebem, em média, salários bases 14,5% mais baixos do que os homens, aprofundando-se a desigualdade na distribuição dos rendimentos a favor do capital.
  • Continua a verificar-se grande desigualdade, em desfavor das mulheres, no acesso a cargos dirigentes.
  • As mulheres ocupam com maior frequência postos de trabalho em que apenas recebem salário mínimo nacional.
  • Quanto ao trabalho não pago, no quadro doméstico as mulheres despendem mais 1h40 por dia útil do que os homens.
  • As mulheres continuam a ser mais mal pagas e mais afetadas por doenças profissionais.

Perante os dados evidentes e respondendo às questões acima enunciadas, apenas por mim, sem recorrer a citações nem a referências:

Se o feminismo pugna pela igualdade de direitos, de participação e de acesso como não manter esta luta nos dias de hoje, perante as condições desiguais que nos são apresentadas? O quadro laboral é, a meu ver fulcral e radical para a luta feminista, o que não exclui, obviamente, todas as outras causas feministas pelos direitos LGBTI e a luta antirracista.

Sim, é essencial manter a luta pela igualdade de direitos do trabalho e pela eliminação da precariedade e da violência, contra o assédio e a discriminação.

Sim, faz sentido ser feminista hoje, em Portugal. A comemoração do 8 de março não é mercantilista é de luta!

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