Encontro Nacional promove resistência contra ataques aos trabalhadores

A plataforma “Trabalhadores atacados não podem ficar isolados” acaba de lançar o apelo público para a participação num Encontro Nacional, sábado, 23  de outubro, entre as 10 e as 18.30h, na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa.

Este Encontro Nacional junta organizações de trabalhadores, sindicatos, delegados sindicais, membros de comissões de trabalhadores e todas as pessoas que, nas suas áreas, estão simplesmente empenhadas em resistir ao rumo declinante do país em matéria laboral.

O Encontro está aberto a todos aqueles que, organizados ou não em ORT’s, queiram participar com o objetivo de debater a situação do trabalho em Portugal, discutir e elaborar propostas concretas de luta e resistência que tenham impacto real na ofensiva em curso contra os trabalhadores e de transformação dos locais de trabalho em espaços de qualidade, solidariedade e justiça social.

A inscrição poderá ser feita dirigindo um mail para: solidariostap.galp@gmail.com

Exige-se determinação, unidade, solidariedade e luta para inverter a atual situação

Os últimos anos têm sido marcados pela degradação dos direitos individuais e coletivos e das condições de trabalho. Em quase todos os sectores, tecnológicos, industriais, de logística, transportes, comunicações, saúde ou educação, mais e menos qualificados, homens e mulheres, fixos e precários, nacionais e migrantes, todos têm sido atingidos.

Assistimos à queda do salário real, ao esvaziamento da negociação e contratação colectiva e à supressão da regra do tratamento mais favorável, ao aumento dos horários e intensidade do trabalho e das jornadas e turnos contínuos, ao assédio moral, aos ataques ao direito à greve, ao esboroamento da solidariedade, ao trabalho forçado nos campos, à degradação da saúde mental e física dos trabalhadores e a violentos ataques aos sindicatos e organizações laborais. Em vez de dar aos trabalhadores das “plataformas” contratos e condições de trabalho corretas, quer-se fazer da precariedade das plataformas a nova norma geral para todos.

 O mundo do trabalho exige a revogação do código de trabalho da troika e das medidas do catual governo que vieram agravar a precaridade. O governo, porém, comprometido com as instituições europeias, tem resistido, com o apoio das confederações patronais.

Agora, o grande patronato português, pela voz da Business Roundtable Portugal, que junta as 42 cotadas no índice bolsista português, veio anunciar o despedimento de 1,1 milhão de trabalhadores nos próximos anos, em nome da automação ou robotização.

Uma após outra, as grandes empresas, aquelas que pagavam um pouco melhor, realizam e anunciam planos de despedimentos maciços (banca privada e pública, TAP, Atice, GALP, Petrogal, Eurest…) ou preparam-nos (Efacec, Portway, ANA); impõem cortes salariais e de direitos (TAP); e encerram unidades (GALP e Saint-Gobain Sekurit).

Já hoje, mais de metade dos trabalhadores portugueses faz horas extraordinárias para sobreviver aos baixos salários ou faz dupla jornada no sector público e privado. O custo de vida, sobretudo a habitação – mas não só – esmaga os sectores médios. Os impostos aumentam, enquanto a qualidade dos serviços públicos piora. A degradação das condições de trabalho e a precariedade crescente no sector público trazem cada vez mais dificuldades a todos os que vivem do seu salário em Portugal.

As medidas da pandemia afetaram os trabalhadores de forma drástica. Houve despedimentos em massa, quando antes o país já tinha assistido à triplicação do número de pessoas a auferir apenas o salário mínimo. O dinheiro da Segurança Social, que é a parte do salário que os trabalhadores descontam para pagar coletivamente as suas pensões na velhice e prestações sociais como as do desemprego, foi usado para salvar as empresas e a propriedade patronal. A sua sustentabilidade fica comprometida.

Tudo isto vem acompanhado de grande insegurança no quotidiano de quem trabalha. Perde-se o sentido e a qualidade do trabalho, os jovens emigram, o mercado interno entra em decadência.

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