Eleições em França: esquerda na luta pela vitória na segunda volta

A coligação Ensemble!, de Emmanuel Macron não conseguiu ir além de uma diferença insignificante de 0,09% sobre a frente de esquerda (Nupes), de Mélenchon, na primeira volta das eleições legislativas francesas.

O líder da coligação que junta várias forças de esquerda — designadamente a França Insubmissa, o Partido Socialista francês, o Partido Comunista francês e a Europa Ecologia Os Verdes — considerou que, nesta primeira volta, o partido presidencial “foi derrotado e desfeito”.

“Pela primeira vez na Quinta República, um Presidente recentemente eleito não consegue ter uma maioria absoluta na eleição legislativa que lhe sucede”, frisou.

Mélenchon apelou assim que o povo se mobilize para a segunda volta das eleições legislativas, afirmando que o resultado da primeira volta cria uma “oportunidade extraordinária” para o “destino comum da pátria”.

“Mobilizem-se para escancarar as portas do futuro, um futuro para o qual se mobilizaram tantas gerações antes da nossa. Esse futuro é um futuro de harmonia entre seres humanos, livres das dominações sociais, culturais e de género. É um futuro de harmonia entre os seres humanos e a natureza”, sublinhou.

Mélenchon apelou designadamente à mobilização junto dos jovens — “a quem pertence o futuro” –, mas também junto “das classes populares que foram tão duramente atingidas por 30 anos de neoliberalismo”.

Neste discurso de cerca de oito minutos, na noite eleitoral, Mélenchon dirigiu-se ainda às forças de esquerda que compõem a Nupes, afirmando que os resultados desta noite se devem “ao acordo histórico” que permitiu a criação da coligação.

“Quero agradecer a todos, a todos sem exceção, que fizeram com que este acordo fosse possível, e que conseguiram fazer com que o nosso povo compreendesse que nós estamos prontos para governar”, frisou.

Segundo o líder da Nupes, durante a campanha para a primeira volta das legislativas, “a unidade da coligação nunca foi defraudada, apesar das várias tentativas que houve para a tentar quebrar”.

“A Nupes conseguiu ultrapassar, de maneira magnífica, o seu primeiro teste: levar a cabo uma campanha em conjunto, lado a lado, e convencer. Nas democracias, é aí que tudo se decide: é preciso convencer. Conseguimos convencer muito”, realçou.

Mélenchon apelou a que, no próximo domingo, se vote nos candidatos da Nupes para “rejeitar definitivamente os projetos funestos da maioria do senhor Macron”, elencando medidas como a reforma aos 65 anos ou o que disse ser “o trabalho forçado” para quem recebe subsídios sociais.

Em contraponto, o líder da Nupes afirmou que, caso as forças de esquerda obtenham uma maioria absoluta na Assembleia Nacional, “os preços vão ter um teto máximo, o salário mínimo nacional vai aumentar para 1.500 euros” e, “daqui a um mês, a reforma aos 60 anos vai ser debatida”.

Dirigindo-se assim aos deputados que concorreram contra a Nupes nesta primeira volta e que foram derrotados, Mélenchon pediu que “olhem para esta segunda volta não apenas sob o ângulo dos projetos e das etiquetas, mas sob o ângulo do interesse da pátria e do seu povo”.

“Ao lançar este apelo — ‘mobilizem-se, decidam por vocês próprios’ — tenho a certeza que estou a ser ouvido pelas milhões de pessoas que, até agora, talvez nunca tivessem imaginado que, na segunda volta, iriam poder tomar uma decisão como aquela que lhes está a ser oferecida em 500 círculos eleitorais”, concluiu.

Segunda volta vai decidir

De forma a vencer na primeira volta, o vencedor tem de reunir 50% dos votos que representem pelo menos 25% dos eleitores inscritos. Quando isto não acontece, passam à segunda volta, que se realiza no dia 19 de junho, todos os candidatos que tenham obtido votos equivalentes a mais de 12,5% dos inscritos ou os dois candidatos mais votados.

Assim, os resultados da primeira volta não vão definem completamente a configuração da Assembleia Nacional nos próximos cinco anos, já que tudo se joga na segunda volta das eleições legislativas, em 19 de junho.

A Nupes é uma coligação eleitoral liderada por Jean-Luc Mélenchon que junta vários partidos de esquerda, partilhando um programa comum e ultrapassando rivalidades históricas entre partidos de esquerda radical, como a França Insubmissa, e partidos sociais-democratas pró-europeus, como o Partido Socialista francês.

O acordo atual partiu da iniciativa da França Insubmissa, liderada por Jean-Luc Mélenchon que, na primeira volta das eleições presidenciais, em 11 de abril, obteve 21,95% dos votos, tornando-o no líder incontestado da esquerda em França.

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