Celebrar o amor e a amizade em meio escolar no Dia dos Namorados

Sem a vertente comercial em que se transformou o Dia dos Namorados/as (Dia de São Valentim), em meio escolar, as atividades sobre esta efeméride estimulam naturalmente a pesquisa sobre a história da origem do Dia de São Valentim. Segundo a lenda, remontará ao século III d.c, quando o sacerdote Valentim terá desrespeitado o decreto do Imperador romano Cláudio II a impedir os casamentos, para angariar mais soldados para as suas tropas. O sacerdote acabaria por ser descoberto e preso, torturado e condenado à morte, sendo executado a 14 de fevereiro do ano de 269, data que viria a dar origem ao Dia dos Namorados, e, na era do consumismo, a toda a imaginativa comercialização deste Dia do Amor.

Mas assinalar o Dia dos Namorados em meio escolar, neste caso na escola pública, também pode e deve ser, promover reflexão e reforçar a importância de prevenção primária com crianças e jovens, considerando os mais recentes resultados de um estudo da UMAR, em que refere, que “67% dos/as jovens aceitam pelo menos um comportamento violento numa relação de intimidade”. Dados inquietantes, quando, na realidade da violência doméstica e de género entre adultos, deparamos com média de idades, de vítimas e agressores, que ronda os 40 anos. Ou seja, pessoas que já nasceram em democracia e passaram pela escola pública.

Independentemente do percurso de vida das famílias, a que, em grande parte não são alheios comportamentos violentos, a exemplo do crime da violência doméstica e suas trágicas consequências. As origens étnicas, culturais ou religiosas que dão o corpo ao ambiente multicultural acentuado nestes tempos na Escola, são cada vez mais um enorme desafio. Mesmo sem os meios adequados, esta tem de corresponder a novas realidades sociais para além da sua missão pedagógica; tem de ser também um reduto fundamental de resistência, assumindo-se exemplarmente como um espaço de liberdade, de tolerância, de amor e inclusão. Como ferramentas fundamentais, também para os primeiros relacionamentos amorosos, que permitam experienciar emoções e afetos, tão importantes no crescimento dos homens e das mulheres.

É imperioso percorrer um caminho consequente, com mensagens claras que ajudem a desmistificar as tentações de recuar às trevas. Obscurantismo a marcar inevitavelmente as vivências dos jovens e dos novos alunos, cada vez mais oriundos de diferentes regimes e conceções sobre direitos fundamentais da dignidade humana, frequentemente provocando o retrocesso civilizacional em países e continentes.

Num tal cenário, não deixa de ser um privilégio os jovens partilharem do convívio multicultural em meio escolar e em democracia, tendo a oportunidade de se relacionarem na Escola sem preconceitos na sua inclusão, tantas vezes negada nos seus países de origem. Mesmo quando, também por cá, depois de décadas a espreitar oportunidade para afirmação de comportamentos intolerantes e homofóbicos, esses preconceitos conquistam espaço.

A Escola terá de continuar a proporcionar a extraordinária e gratificante vivência numa comunidade escolar e educativa em que os jovens alunos celebram de forma tão natural, a amizade, o amor e a tolerância, entre jovens de diferentes etnias e nacionalidades. Tem de deixar uma mensagem na esperança de que celebrar o Dia dos Namorados e do Amor, também pode ser todos os dias. Contra qualquer tipo de intolerância.

Deixe um comentário