Brasil: Escritores querem barrar intenções ditatoriais e golpistas de Bolsonaro

O Sindicato dos Escritores de São Paulo veio a público “conclamar a todas as forças políticas, personalidades, entidades e movimentos interessados na preservação das liberdades individuais e coletivas, e na manutenção, aperfeiçoamento e expansão das garantias do Estado de Direito, a constituírem uma Frende Democrática, ampla e plural, que una o Brasil para barrar as intenções ditatoriais e golpistas do atual mandatário da República e de seus asseclas, defender a Constituição Federal, afastar o perigo fascista e abrir caminho para superar a crise.”

O apelo, sob a forma de um Manifesto em “Defesa da Democracia, da Cultura e dos Escritores Brasileiros”, foi lido pelo 1º Secretário do Sindicato dos Escritores, Elder Vieira dos Santos, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, após a recente eleição dos novos dirigentes (na foto).

“Como parte da luta democrática, laboremos pela regulamentação de nossa profissão; por condições dignas ao trabalho do escritor; por remuneração e relações contratuais justas e transparentes; por uma política adequada de direitos autorais e para que saiamos da atual situação de vilipêndio para uma em que haja apoio à atividade de criação literária, respeitadora da diversidade estética, política, de linguagens e de suportes; pela criação de órgão público de regulação e fomento da cadeia econômica e social do livro, leitura e literatura, com vistas à sua proteção, desenvolvimento, inovação, expansão, democratização e equilíbrio, considerando, especialmente, as novas tecnologias e seus impactos nos processos criativos, de troca, distribuição, difusão, remuneração e fruição”, defende o Manifesto.

O Sindicato dos Escritores propõe uma articulação “com todos os interessados em um Brasil livre de amarras, mentiras, medos e violências; com o conjunto do movimento sindical brasileiro; e com as demais organizações representativas ou associativas da categoria, dentre elas, com destaque, a União Brasileira de Escritores, visando à unidade de ação para a conquista de dias melhores para o Brasil.”

Este manifesto decorre da análise que os escritores de São Paulo fazem do atual quadro político, no Brasil. “O ataque à cultura e à ciência, próprio de forças de extrema-direita, de natureza fascista, está em linha com os postulados neoliberais, cevados nos centros hegemônicos da economia mundial, e defendidos e aplicados por governos submissos de diversos países latino-americanos, dentre eles, o que se instalou no Planalto. Tais postulados levam à desnacionalização das economias e das riquezas, à desindustrialização, e à superexploração da força de trabalho. A economia criativa brasileira sofre os impactos disto. A produção, distribuição e difusão cultural e artística voltam a ser mais extensivamente controladas pelas grandes corporações, muitos delas transnacionais, que estrangulam a concorrência nacional e estreitam as possibilidades de ampliação de nossas publicações, exibições e realizações.”

Durante a tomada de posse da nova direção do Sindicato, o presidente reeleito, Nilson Araújo de Souza (ao centro, na foto), alertou para o dano ao país representado pelo atual governo: “Já começam a violentar a democracia, violentar os direitos do nosso povo, a soberania nacional. Querem acabar com o patrimônio público e, de um ponto de vista mais geral, é um grupo que ameaça a própria convivência e o avanço civilizatório em nosso país. É um grupo obscurantista: para eles, tudo o que foi produzido em termos de ciências naturais, não existe e, assim, negando a ciência, negando de Copérnico a Galileu e todo o desenvolvimento científico até os nossos dias, dizem que a Terra é plana”.

1 comentário em “Brasil: Escritores querem barrar intenções ditatoriais e golpistas de Bolsonaro”

  1. Acho muito bem a preocupação de jornalistas e escritores com a limitação e subalternização da sua profissão pelo bolsonarismo, que vê na liberdade de informação e na actividade cultural, um moinho de vento a abater.
    Mas ou muito me engano ou o bolsonarismo vai apodrecer de dentro para fora, porque nem os membros do executivo reúnem as competências exigidas a um governante, nem o presidente faz ideia do que deve ser uma postura de estadista, nem sequer existe um programa com pés e cabeça que tenha sido anunciado. Claro que para a ‘inteligência Olavamente plana’ do mentor do presidente, isso são questões que se dispensam e… venha o horóscopo!
    Alguém sabe o que Bolsonaro pensa como deverá ser o SUS daqui a 5 ou 10 anos? Tem um plano? E por onde começar? E como promover a formação profissional que tanta falta faz? Qual o conjunto de medidas para conter a violência? O que fazer a curto e médio prazo para resolver o gravíssimo problema da falta de habitação e de saneamento básico?. Quantos anos, hem? E por onde e quando se começa? E os transportes? Quais são as metas de curto e médio prazo? Que fazer com a ferrovia nos próximos anos? Há alguma meta anunciada para o ano, para daqui a 3 ou 4 anos? Qual a prioridade? E vai o Brasil continuar a exportar pelo porto de Santos? Filas quilométricas com milhares de camiões atolados carregados de produtos perecíveis?
    A campanha liderada por Bolsonaro e filhos limitou-se a uma imitação torpe de tiro ao alvo, mas até essa tentativa ridícula de excitar o seu eleitorado não teve aprovação de quem efectivamente tem o poder das armas; os militares.
    Claro que há tentativas grosseiras de ter algumas coisas sob controlo. Cortaram milhões do ensino público para receberem apoio dos donos do privado; para o ministério da agricultura meteram uma raposa no galinheiro (que diariamente liberta agrotóxicos para agradar à bancada do boi que ajudou a eleger o presidente) e que também integra a demarcação de terras indígenas e o Serviço Florestal Brasileiro; uma reforma da Previdência que vai tirar mais aos trabalhadores do que a isenção anual de taxas de que gozam os exportadores do agronegócio; extinguiu-se o COAF para ficar sob o controlo do ‘Chicago boy’ Guedes e tirá-lo do concorrente Moro; afinal não há armas para todos os bolsonaristas poderem matar “os bandido”; uma bispa evangélica que parece uma caricatura de personagem da Idade Média quer meninos de azul e meninas de rosa (embora ela nesse dia estivesse de azul…); já não há vídeos enviados ao ministério com as crianças das escolas perfiladas a cantar o hino; a embaixada em Israel teve um downsizing para escritório quando explicaram ao presidente que os países árabes deixariam de comprar frango do Brasil; o raio do sr Queiroz que não havia meio de aparecer para esclarecer essa coisa dos milicianos, dos movimento financeiros atípicos e umas referências ‘abafadas’ a um membro do clã Bolsonaro; o especialista em virar hamburgers que afinal já não vai para embaixador nos States; a China passou de terror comunista a parceiro comercial; o Trump afinal não quer isentar o aço brasileiro… E como se diz no Brasil: “e por aí vai…”.
    Agora vai haver (logo se saberá quando…) um partido exclusiva e radicalmente bolsonarista. Os PSL’s desiludidos com a autoridade tão fraca e inconsequente do presidente, não vão entrar nessa e se Moro se candidatar (ou o inimigo figadal de Bolsonaro, sr Dória…) lá vai mais de um terço do actual apoio do presidente. Quanto a alguns candidatos a hammerskins, tentarão ir pela via dura, mas por aí não terão apoio e serão mesmo rejeitados pelo Congresso cujos integrantes querem parecer bem na fotografia internacional, para poderem conservar o tacho.
    Foi uma pena a desastrada ‘facada’, dada por um idiota qualquer, o ter impedido de participar nos debates da campanha e mostrar ao eleitorado o seu verdadeiro desconhecimento dos problemas do Brasil e da completa ausência de ideias para a sua solução.
    E vamos lá ver se não virará pretexto para um dia destes, vendo o caso mal parado, justificar a sua saída de cena…

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