As TransBonitas, um poema para pensar a história LGBT

O século XX foi um ponto de viragem na história da humanidade, o feminismo alcançou o pico da luta contra o patriarcado, abrindo caminho para a libertação demorada e difícil das pessoas de identidade de género e orientação sexual não normativas.

A luta da comunidade LGBT é de admirar e apesar de já contar com imensas vitórias, conta ainda com imensos desafios: Ainda há pena de morte para pessoas com relações homossexuais em alguns países do mundo; A maioria dos países do mundo não autoriza o casamento por pessoas do mesmo sexo, não reconhecendo, portanto, a existência dessas relações; Mesmo olhando para países como Portugal, com grandes avanços legislativos em matéria de direitos das pessoas LGBT, ainda há preconceito social e cultural, fruto de um patriarcado machista e conservador, prolongado e enraizado.

A solução tem de ir além das Leis, tem de ser cultural.

O poema As TransBonitas é um poema épico escrito no estilo heroico alternativo (o inverso do verso heroico, usado por Camões em Os Lusíadas), dedicado à comunidade LGBT e a todas as comunidades que partilharam ativismos interligados, como as pessoas trabalhadoras sexuais, sem abrigo, precárias, ambientalistas, feministas, entre outras.

O estilo revela, juntamente com o título, que o poema quer desafiar o conservadorismo cego, que nega e oprime a vida de tantas pessoas que se afastam da vida social e culturalmente (!) imposta pelo patriarcado cis hétero normativo.

O título As TransBonitas (Trans + Bonitas), diz que as pessoas trans são bonitas, desafia logo de partida as visões conversadoras e restritivas de beleza. Aborda as pessoas que fazem trabalho sexual como tão dignas como todas as outras pessoas, porque a dignidade verdadeira será outra que a que se usa para menosprezar quem segue vidas diferentes das nossas. A emancipação é valorizada, com as suas dificuldades, tendo a sua chave no conhecimento. A coragem deixa de ser a brutidão dos músculos dos filmes comerciais, tal como o heroísmo deixa de ser a raridade sobre-humana, voltando-se para as pessoas que sobrevivem “cá em baixo”. O amor é livre, a esperança é aquilo que brilha nos olhos das pessoas que se batem nos seus ativismos por um mundo melhor e a solidariedade é o que vence, em vez da caridade do nariz empinado.

O movimento LGBT é de valorizar, é uma revolução ainda em processo que está a modificar a cultura humana, para melhor, que se está a expandir para novos significados e horizontes – Vale a pena refletir sobre a sua história.

Pessoas como Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, são exemplos de emancipação, dignidade, uma procura por consolação na vida, solidariedade, coragem, beleza, heroísmo e esperança, é para elas e todas as outras incógnitas pessoas que se fez este poema, de livre acesso e sem fins lucrativos, um objeto cultural para divulgar, debater, refletir e contribuir para a construção de uma cultura mais ampla.

O poema está disponível no blogue transbonitas.blogspot.com

 

Algumas estatísticas sobre o panorama LGBT internacional:

https://www.ilga.org/maps-sexual-orientation-laws

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