Aprovada Barragem do Pisão para combater carência no abastecimento público ao Nordeste alentejano

As populações do Nordeste alentejano, martirizadas com anos consecutivos de carências no abastecimento de água, conquistaram, finalmente, a  barragem do Pisão/Crato. No âmbito do debate e votação do Orçamento de Estado, na especialidade, a Assembleia da República aprovou uma proposta do Grupo Parlamentar do Partido Socialista no sentido de ser assegurado o financiamento da construção da barragem do Pisão/Crato. A proposta foi aprovada com os votos contra do BE e do PAN e os votos favoráveis dos restantes grupos parlamentares.

A barragem do Pisão é uma necessidade premente para assegurar o fornecimento público de água potável a oito concelhos do norte alentejano, entre os quais Ponte de Sor, um dos mais populosos, onde já têm ocorrido cortes no abastecimento. É, por essa razão, uma aspiração do povo alentejano com várias décadas.

Interpretando a vontade das populações, o BE de Portalegre incluiu a construção da barragem do Pisão/Crato no seu programa eleitoral das últimas legislativas, embora sujeitando-a a algumas condicionantes, nomeadamente que não sirva o regadio de uma agricultura intensiva e super-intensiva,  assente em monoculturas. De resto, a barragem do Pisão/Crato deverá substituir a de Póvoa e Meadas, uma promessa incumprida por sucessivos governos, e terá de ser sujeita a um rigoroso e credível Estudo de Impacte Ambiental e respetivos processos de consulta pública.

Atualmente, o abastecimento público de água potável ao norte do Alentejo é assegurado por uma captação na barragem de Póvoa e Meadas, junto a Marvão. A estrutura física desta barragem, ainda em alvenaria, tem mais de 90 anos e apresenta um grande número de fissuras, revelando um baixo nível de eficiência e de segurança.

Graves carências no abastecimento público de água têm sido recorrentes e motivo de preocupações levantadas por autarcas e populações. Precisamente para salvaguardar a segurança, já tem de ser limitada a cota máxima da água armazenada em Póvoa e Meadas. E tem sido reconhecido que também a qualidade da água aí captada deveria ser melhor.

A exigência da construção da barragem do Pisão/Crato tem mais de 50 anos e tem vindo a ser reclamada por movimentos populares de vários concelhos. A aprovação da sua construção, sujeita a exigentes critérios ambientais, é, sem dúvida, uma vitória para as populações dos concelhos do Nordeste Alentejano que, desta forma, poderão ver ultrapassados os problemas no abastecimento público de água potável.

1 comentário em “Aprovada Barragem do Pisão para combater carência no abastecimento público ao Nordeste alentejano”

  1. Se correr mal, difundir a monocultura, como já acontece em Avis e Sousel,aumentar as rendas anuais para os agricultores que asseguram agora a manutenção dos montados e dos solos aráveis de forma medianamente invasiva provocando a total inviabilização das suas pequenas e médias explorações, se provocar um aumento do consumo da água disponível como já acontece na barragem do Maranhão tendo como beneficiários sempre os mesmos, se se cometerem os mesmos crimes ambientais que se estão a cometer em Beja e Évora só para colocar Portugal na primeira linha dos exportadores de azeite desprezando o interesse das populações, quem serão os culpados? Se correr bem quem colherá os louros que esta mesma peça acaba por exultar? Acham que vai ser o BE? A construção desta barragem nunca foi uma bandeira do BE. Quais são os exigentes critérios ambientais? Os mesmo que regulam a construção do aeroporto do Montijo? Póvoa e Meadas não é junto a Marvão mas a Nisa – estão um tanto ou quanto deslocados. A qualidade da água é monitorizada pelas autarquias, e decresce, como em todo o lado, quando é menor o fluxo,de qualquer forma, mesmo assim, tem revelado sempre um óptimo estado para consumo e tem resistido a todas as secas. Ponte Sôr não tem, nem teve, falta de água. É mentira. A construção da barragem é uma exigência induzida. Mais de metade do Norte Alentejano não está minimamente preocupada com a sua construção. Aparentemente são os Concelhos com maior taxa de depreciação demográfica que andam a reboque dessa miragem há alguns anos – desde quando o BE ainda nem era partido.Este projecto fazia parte do Plano de Rega do Alentejo do tempo do Estado Novo, quando a intenção era ligar as bacias do Tejo e do Guadiana desde a barragem do Alvito até Alqueva, fazendo o mesmo que já fizeram os Espanhóis. Isso está posto de lado. O Pisão irá desviar fundos úteis noutras áreas do desenvolvimento, encarecerá o arrendamento e a venda das terras tornando-os especulativos( quem tira daí mais resultados?), inviabilizará as explorações autóctones, tornará as terras inférteis a médio prazo, desprezará o equilíbrio ambiental e, mais grave ainda, poderá torna obsoletas, porque desprezadas, as infraestruturas que asseguram agora o abastecimento de água. O país não se pode dar a esses dois luxos: desprezar o que funciona e incrementar o consumo de água enquanto recurso ao qual todos devem ter acesso. Lamento, mas esta peça é um puro exercício de demagogia. Há um único movimento que suscita de forma mais veemente a construção da barragem, mas, estranhamente, esse movimento despontou entre autarcas do PS e em Concelhos do PS, precisamente há cinco anos, porque entendem internamente que podiam fazer pender a balança eleitoral para o partido. E conseguiram, porque, pelos vistos, levam atrás, todos contentes, aqueles que deviam alinhar as suas posições de forma concertada pelas orientações do Movimento salvaguardando um futuro demasiado incerto para um projecto insuficiente.

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