Advogados machistas não fazem justiça!

Na 2ª feira, 10 de fevereiro, o jornal Público coloca em destaque o perfil do advogado Rui Patrício numa longa entrevista sobre a lentidão da Justiça em Portugal. Conhecido como” advogado dos poderosos”, Rui Patrício foi nomeado pelo governo, em setembro de 2019, para o conselho de administração da Fundação Berardo.

No meio de algumas ideias polémicas, entre as quais, de que é discutível se os animais têm direitos do ponto de vista jurídico, o que quer dizer que as pessoas que tratam mal os animais não devem ser criminalizadas, destaco a sua posição sobre os processos de violência doméstica.

Considera, este advogado que o discurso sobre violência doméstica “está na moda” e que tem dúvidas sobre a classificação dos processos de violência doméstica como urgentes. Afirma, ainda, que esta situação provoca um “afogamento do ministério público”. Que o prolongamento, por largos meses, dos processos sobre violência contra as mulheres “afoguem” a vida das mulheres e das suas crianças, pouco importa, decerto!

Colocando em causa o que já está legislado sobre o assunto e instrumentos legais internacionais, como a Convenção de Istambul, Rui Patrício atreve-se ainda a fazer declarações deste tipo “existem muitas queixas que são armas de arremesso: as pessoas têm desavenças e queixam-se de violência doméstica para ganharem vantagem processual ou se vingarem da outra parte”. É lamentável que este tipo de pensamento e que decerto, não é exclusivo de Rui Patrício, continue a fazer escola em escritórios de advogados e em alguma magistratura portuguesa.

Mais que lamentável é o atrevimento deste tipo de advogados, que banalizam a violência doméstica e de género por profundo desconhecimento deste fenómeno social e que do alto do seu pedestal de “gente sábia” acabam por revelar uma mentalidade sexista e machista que em nada dignifica a aplicação da justiça.

A poucos dias da divulgação dos resultados do estudo nacional da UMAR sobre Violência no Namoro, a revolta cresce em cada uma de nós perante declarações como as atrás enunciadas, revelando que temos ainda um longo caminho a percorrer de persistência numa luta que é de todas/os nós!

Deixe um comentário