A nossa orientação estratégica é a revolução social

O capitalismo tem sido sempre crise; com as crises cíclicas vai não vai. A crise estrutural em que mergulhou o capitalismo é a base material para a criação da rede financeira e política que vai integrar os extraordinários avanços científicos a caminho do Leviatan tecnológico: o fascismo mundial tecnológico.

Mais progresso do capitalismo significa mais retrocesso social. A nossa tarefa, a tarefa do proletariado mais vasto do que nunca é usar a tecnologia para se libertar do trabalho, logo do capitalismo.

A nossa orientação estratégica é, pois, a revolução social. O Partido orienta nos objectivos tácticos da luta e propõe a resposta alternativa global: o Socialismo!

Nesta tarefa só saberemos orientar se soubermos seguir. Mas não podemos correr o risco de perder o horizonte de ruptura radical com o capitalismo. Contribuir para a evolução do movimento social para movimento socialista.

A crítica ao capital não só a partir do trabalho mas a crítica ao próprio trabalho, como instrumento fundamental do capital para a transformação do valor em mais valia. O capital não produz valor, produz lucro.

A crítica do nosso ponto de vista marxiano implica necessariamente acção que, no nosso tempo quer dizer defesa da democracia que ainda temos, mas levá-la até às últimas consequências pela dinamização, no movimento social, de formas de cooperação e organização democrática colectiva determinante no próprio funcionamento da democracia representativa.

E, aqui; temos uma lição histórica preciosa: a nossa revolução democrática do 25 de Abril, o PREC! Tornar o Estado existente num Estado fraco face ao povo e forte frente ao capital. Retirar das mãos do Estado e das administrações o controlo burocrático e o domínio da democracia, e contribuirmos para que sejam os povos a construí-la, a impô-la e a radicalizá-la tanto quanto possível dentro do sistema até ser possível uma ruptura sustentável: a revolução.

O Partido não é clarividente. Tem de ser capaz de entender e assimilar a dinâmica social e devolver elaboração política e crítica e entusiasmo e entrega revolucionários.

A esquerda não pode ter medo de si própria. Nos acordos e alianças não podemos legitimar soluções titubeantes mas, antes, sustentar reformas que passem obrigatoriamente pela estabilidade da vida do povo, do trabalhador, desde o cientista ao calceteiro. E que, no confronto trabalho/capital não teremos hesitações.

O Planeta, na sua totalidade é um ser vivo! O capital está pronto a destruí-lo: vai até onde der lucro; e, se der, vai até ao apocalipse. A disputa mundial dá-se na tecnologia e na energia; no seu controlo. No resto as potências mundiais dão-se as mãos. Estão de acordo.

A guerra infinita contra os povos é o resultado da Santa Aliança do G7: florescente indústria do armamento, crescimento criminoso, morte do planeta.

A ameaça de guerra nuclear é a grande chantagem, o grande medo. Mas nenhuma potência se mete nela. A nossa tarefa imediata global é transformar a emergência climática em insurgência climática.

Estas as bases radicais onde temos de inspirar a nossa intervenção política, todos os dias e, agora, na campanha que temos pela frente, onde saberemos levar ao eleitorado o nosso programa e mostrar como ele aponta ao futuro.

Ajudaremos a derrubar os muros e a dissipar o nevoeiro com que os ideólogos tratam de desacreditar os nossos sonhos e impedir a sua concretização. Para Karl Marx as duas coordenadas do movimento socialista são a utopia e a revolução.

Os aderentes do Bloco, as suas organizações de base, no aprofundamento da democracia dentro do próprio Bloco são os instrumentos de afirmação da nossa política, de adesão ao nosso programa, alicerçados no pensamento socialista, junto dos povos.

A iniciativa tem de ser vossa junto das massas, ajudando-as a compreender e assumir o seu real poder. Ao trabalho, à luta, ganhar o apoio para o nosso Bloco ser uma força determinante na mudança.

 

[Intervenção no encerramento do Fórum Socialismo 2019, Porto]

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