A caminho da Convenção: “Um Bloco mais forte para mudar o país”

Catarina Martins apresentou 17 teses para a XI Convenção do Bloco, na moção “Um Bloco mais forte para mudar o país”.

Com estas 17 teses que abaixo resumimos, o Bloco apresenta-se ao ciclo eleitoral de 2019 (Europeias, Regionais da Madeira e Legislativas) em torno do seu próprio programa e para disputar a representação da maioria

  1. O nacionalismo ultra-conservador de Donald Trump é a nova forma de afirmação da hegemonia imperial norte-americana face à instabilidade financeira e às dificuldades políticas internas.
  2. As alterações climáticas são um grave risco global. A temperatura aumentou 1ºC desde a época pré-industrial e, mesmo que as metas prometidas em Paris fossem cumpridas, aumentaria outros 3,5ºC nos próximos 50 anos, o que garantiria uma catástrofe ambiental com elevados custos sociais.
  3. A crise dos refugiados, o ultimato à Grécia, o Brexit, o ascenso fascista na Áustria, em Itália e no Leste, a repressão na Catalunha: todos são, por ação ou omissão, sinais de aceleração da desagregação de alguns regimes políticos e da União Europeia.
  4. Perante a desintegração europeia, a esquerda tem a tarefa de construir uma alternativa popular às políticas do centro e capaz de enfrentar e vencer a direita e a extrema-direita . Esse caminho exige uma rutura com os tratados europeus.
  5. A relação de forças parlamentar saída das eleições legislativas de 2015 permitiu afastar a direita do governo e parar o empobrecimento do país. Essa viragem constitui um triunfo que o Bloco reclama. Mas o balanço dos acordos não pode omitir os seus limites, contradições e insuficiências para a alteração estrutural no país. Ou seja, o que está por fazer.
  6. Depois do alívio e da expectativa iniciais, em 2018 vivemos uma retoma de lutas sociais e laborais. Na combinação entre melhorias efetivadas e promessas goradas, existe uma maior consciência social das possibilidades e da necessidade de alternativa.
  7. O abrandamento da chantagem europeia contra Portugal é conjuntural e todos os riscos se mantêm. A dívida externa, que é insustentável, permanece como instrumento dessa chantagem.
  8. O PS procura uma maioria absoluta ao centro e abre a porta a convergências à direita.
  9. O Bloco de Esquerda é sempre a garantia do cumprimento das medidas dos acordos de 2015 e de avanços para patamares mais exigentes de  direitos sociais.
  10. A convergência à esquerda com o PCP é uma componente importante dos avanços sociais neste período e no futuro.
  11. As eleições europeias são o primeiro embate eleitoral de 2019. O Bloco vai às eleições europeias em listas próprias e junta forças à esquerda, numa candidatura internacionalista que recusa a submissão aos tratados.
  12. Nas eleições legislativas o Bloco apresenta-se ao país com um programa de governo e uma proposta de governação à esquerda.
  13. Nas eleições regionais da Madeira, a criação de alternativa à esquerda depende do reforço do Bloco de Esquerda.
  14. Nos Açores, o Bloco de Esquerda é a oposição que não cede à predação dos interesses internacionais nem desiste do desenvolvimento e qualificação.
  15. A representação autárquica do Bloco, tendo progredido, é ainda reduzida. Articular a intervenção local e nacional é uma prioridade da organização.
  16. No plano da organização, o objetivo é promover a intervenção política das e dos aderentes em ativismos e movimentos sociais.
  17. A estagnação ou a perda de sindicalização tem sido um processo longo. A renovação do movimento sindical é o desafio essencial para a esquerda social.

 Foto rtppt on VisualHunt

1 comentário em “A caminho da Convenção: “Um Bloco mais forte para mudar o país”

  1. Pouco, muito pouco face ao que uma esquerda deve fazer para recuperar ex – direitos adquiridos dos cidadãos, que a extrema direita representada pelo PSD + CDS e o liberalismo SOCIAL pelo PS, designadamente, na área da justiça, garantindo uma justiça equalitária qualitativa e quantitativa para todos, em particular, com necessária alteração do processo executivo e consequente penhora e nos processos de insolvência e suas garantias, na área da saúde, com uma nova reconfiguração dos meios e uma melhor gestão de recursos disponíveis, na administração central e autárquica, com uma reestruturação de serviços, quadros e meios financeiros, etc…!!!
    Não chega enumerar coisas que sendo importantes, não, são intrinsicamente, relevantes para as classes média e baixa.

Deixe um comentário