A Plataforma pela Floresta exige a sustentabilidade da floresta portuguesa

Floresta-Arvoredo

A Plataforma da Foresta, recentemente criada, exige aos organismos responsáveis a revogação do Decreto-Lei nº 96/2013, que permite a liberalização da plantação de espécies exóticas em mais de 80% das propriedades florestais de Portugal.

A maior ameaça vem da plantação praticamente incontrolada de eucaliptos, permitida pela nova legislação. Desde a publicação do decreto-lei, em Outubro do ano passado, até ao final desse ano, foi plantada com eucaliptos 92% da área de nova floresta . Pelo contrário, em apenas 15 anos, entre 1995 e 2010, desapareceu mais de um quarto da área coberta por pinheiro-bravo.

A nova Plataforma da Floresta conta com 20 organizações e 15 subscritores em nome individual. Entre os subscritores estão organizações ambientalistas, associações profissionais de arquitectos paisagistas e bombeiros, agricultores e de industriais da floresta.

“O abandono é bastante claro, desordenamento territorial, uma incapacidade de realizar o potencial pleno das zonas de intervenção florestal e, claro, a alteração que se tem produzido na composição da floresta que, neste momento, já é predominantemente eucaliptal, a um elevadíssimo nível. É um dos maiores do mundo”, garante João Camargo, da Liga para a Protecção da Natureza, uma das associações subscritoras da plataforma, em declarações à Renascença.

O eucalipto é uma espécie não autóctone, não sendo natural do nosso território, foi introduzida em Portugal em meados do século XIX. A preferência pela sua plantação prende-se com a sua elevada produtividade, em comparação com as outras espécies de árvores, tornando-o tão atractivo para os produtores florestais, sobretudo ao permitir ciclos de exploração de cerca de 12 anos.

De acordo com a Quercus, as plantações de eucalipto acarretam impactes ambientais consideráveis sobre o território, nomeadamente uma maior erosão do solo, a alteração do regime hídrico, perda de biodiversidade, alteração da paisagem, para além de facilitarem a propagação dos incêndios florestais de forma muito mais significativa do que as florestas constituídas por espécies autóctones.

Em Portugal, a maior parte das florestas naturais já desapareceu ou está muito alterada, pelo que nunca é demais relembrar o perigo desta vegetação, em termos ecológicos, económicos e sociais. A desregulamentação das plantações de eucaliptos aumenta ainda mais a destruição da floresta autóctone.

Neste momento,o objectivo central da Plataforma pela Floresta passa pela revogação desta legislação permissiva, sobre arborização e rearborização.

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