Passagem de nível da linha da Beira-Baixa tem de ser eliminada

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Segundo a edição de Dezembro do jornal Oficial da União Europeia, Portugal é dos países da Europa onde mais se morre em passagens de nível. Entre os 27 países da União, o nosso país só é ultrapassado por Lituânia, Roménia, Croácia e Grécia, no que se refere à sinistralidade em passagens de nível.

De 2010 para cá, no nosso país, morreram 123 pessoas em acidentes passagens de nível. A maior parte (91) circulava em automóveis, vítimas de colisões com comboios.

Apesar de tudo, estes números trágicos têm vindo a diminuir, de ano para ano. Daí que, para a Refer, seja uma “surpresa” a má classificação de Portugal neste ranking de segurança.

Em declarações ao matutino Público, Susana Abrantes, porta-voz da Refer, afirma não ter dúvidas de que “a quase totalidade dos acidentes em passagens de nível ocorrem por imprudência e desrespeito das pessoas” quando as atravessam.

No Entroncamento, grande parte do trânsito automóvel entre a parte norte e sul da cidade utiliza a passagem de nível ao 101,25 na Linha da Beira-Baixa, num troço ferroviário com muito tráfego ferroviário. Os riscos são evidentes, para além dos congestionamentos frequentes, às horas de ponta.

Está prevista há muito a eliminação desta passagem de nível, com projecto já desde 2009. Nesse ano, em declarações ao semanário O Mirante, a então Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, garantiu que iria ser eliminada a passagem de nível no Entroncamento. É a “a única que ainda sobeja na linha da Beira Baixa”, lembrou.

Na altura, contava-se com os fundos comunitários para cobrir a maior parte dos 3,2 milhões de euros necessários ao investimento.
Porém, em Outubro do ano seguinte (2010) e em resposta a uma pergunta do Grupo Parlamentar do BE, o governo PS reconhecia que a supressão desta passagem de nível já não estava “definida como prioritária”

De facto, o governo do PS viria a cair quase dois anos depois, em meados de 2011, sem que a obra fosse feita.

Com o governo PSD/CDS-PP, deixou totalmente de se falar no assunto. Curiosamente, ainda em 2009, o Plano Estratégico para o Entroncamento, aprovado por iniciativa da Câmara do Entroncamento, então de maioria PSD, continuava a apontar como “crucial”, “prioritária e estruturante” a chamada Circular 3, uma via que eliminaria a perigosa passagem de nível.

De então para cá, o tráfego automóvel aumentou ainda mais, com o crescimento da cidade e com o tráfego de atravessamento induzido pela introdução de portagens na A23, em Dezembro de 2011.

A insegurança agravou-se, portanto. Isso pouco importa isso aos fanáticos da austeridade que apenas sacam dinheiro a trabalhadores e reformados para alimentar uma dívida externa impagável.

A construção da passagem superior sobre a linha da Beira Baixa vai mesmo ter que voltar à agenda local.

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