O negociante de secos e molhados

carlos matias 100
Uma noite destas, por volta das dez horas, caiu no mail de mais de 30 trabalhadores da Manutenção Militar (MM) do Entroncamento a informação de que haviam sido enviados para a chamada “mobilidade”. Se, entretanto, não arranjarem colocação noutros serviços, ficarão uns tempos a receber 60% dos seus baixos vencimentos e depois uma miséria de 40%.
Comece por se assinalar a forma cobarde como são descartados trabalhadores com vidas inteiras dedicadas ao serviço: através de um simples mail noturno, são atiradas para enormes dificuldades económicas famílias inteiras. Muitos trabalhadores têm dezenas de anos de MM e dificilmente conseguirão uma colocação no mercado de trabalho.
Depois, assinale-se a contradição de ainda há pouco tempo a expectativa ser de crescimento da Manutenção Militar, sendo particularmente sublinhado o papel essencial das instalações e da equipa do Entroncamento.
Finalmente, mesmo em cima de todo este processo vergonhoso, o Ministro da Defesa apressa-se a vir a Torres Novas propor às empresas privadas o fornecimento de “têxteis, calçado, ou catering.” Exatamente muito do que tem feito a Manutenção Militar.
Ou seja, o governo liquida a Manutenção Militar, embora não o assuma abertamente, descarta trabalhadores e oferece negócios a privados. O Ministro não se comporta como um governante responsável, mas como um vulgar intermediário de secos e molhados.
Por nós, só podemos estar inteiramente solidários com os trabalhadores. Pelas suas vidas e pela sua dignidade, esperemos que não desistam de lutar por postos de trabalho e salários.
Resta-nos ainda retribuir aos governantes um desprezo igual ao que estes manifestam por quem trabalha. Em breve, quando forem corridos, já vão tarde
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