Vamos ser claros: o que é “tragédia orçamental”?

Ser claros… Foto de Nuno Morão

Proposta de campanha da lista apresentada pelo PS não passa de promessa eleitoral

Depois de ter andado mudo durante um mandato inteiro, o PS apareceu recentemente a defender em campanha eleitoral uma baixa de 12,5% do IMI, proposta que o PSD veio a público classificar como irrealista.

Durante os últimos 4 anos de mandato autárquico, apenas o Bloco de Esquerda apresentou propostas alternativas de taxas mais baixas para o IMI. Aliás, em Outubro próximo, os autarcas do Bloco de Esquerda voltarão a defender taxas mais baixas para o IMI.

O PSD veio agora classificar a proposta da lista do PS como uma “tragédia orçamental”. Afirma ainda que os cerca de 320 mil euros de quebra nas receitas serão “essenciais para o pagamento de um mês de salários aos trabalhadores da autarquia”. O PSD recorre sistematicamente a estes argumentos para inviabilizar as propostas do BE. Nunca haveria “condições”.

Para o PSD há tragédias e tragédias

O mesmo PSD esconde que a nova lei das finanças locais, aprovada na Assembleia da República por PSD e CDS-PP e promulgada há escassos dias, priva o município do Entroncamento de uma verba anual da ordem dos 366 mil euros.

Neste verdadeiro assalto aos cofres do município, o PSD opta por um silêncio cúmplice. Este corte é que é realmente uma tragédia orçamental, muito superior a um mês de ordenado dos funcionários! Mas neste caso, para o PSD-Entroncamento, os cofres da autarquia já terão “condições” para suportar a enorme sangria imposta pelo seu próprio partido. E cala-se.

O PS já começou a recuar, dizendo que, afinal, a baixa do IMI será até ao final do mandato. Já começou a “roer a corda”… Não é de estranhar: o PS foi um dos subscritores do memorando da troika, de que os cortes financeiros aos municípios são apenas mais uma das consequências. Para PSD, PS e CDS-PP a austeridade mais ou menos “inteligente” é uma fatalidade para a qual não há alternativas, e que devemos suportar pacientemente.

O Bloco de Esquerda desafia a candidatura do PSD a denunciar como “tragédia orçamental” o corte ao Entroncamento na ordem dos 366 mil euros, como resultado da aplicação da nova lei das finanças locais, aprovada pelo seu próprio partido e pelo CDS-PP.

O Bloco de Esquerda desafia ainda a candidatura apresentada em nome do PS a dizer se em Outubro próximo, votará – sim ou não – uma baixa na taxa do IMI.

A clarificação tem de fazer-se agora, antes das eleições

Foto: Nuno Morão

Álvaro Góis

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